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Macri e o secretário de Kirchner também estão nos ‘Panama Papers’

Dados vazados revelam que 570 argentinos operaram em paraísos fiscais

Macri nos ‘Panama Papers’
Macri na Cimeira de Segurança Nuclear em Washington o passado 1 de abril. EFE

O atual presidente argentino, Mauricio Macri, e o secretário particular do ex-presidente Néstor Kirchner, Daniel Muñoz, estão entre os 570 nomes argentinos dos 'Panama Papers', um grande vazamento de dados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado na criação de sociedades de fachada.

Segundo publicação do jornal La Nación, o atual presidente argentino, seu pai Francisco e seu irmão Mariano administraram a sociedade Fleg Trading LTDA, constituída nas ilhas Bahamas em 1998 e dissolvida em janeiro de 2009. Os documentos não esclarecem se Macri fazia parte da empresa de fachada quando eleito prefeito de Buenos Aires, em 2007, ou se desvinculou antes. Em suas declarações de imposto de 2007 e 2008 não consta nenhuma ligação com a Fleg Trading. Ele declarou, por outro lado, uma conta bancária do Merrill Lynch nos Estados Unidos com 9,1 milhões de dólares (32,35 milhões de reais) em 2007 e 5,9 milhões de dólares (20,98 milhões de reais) na mesma conta em 2008. Também declarou 500.000 dólares (1,78 milhão de reais) em ativos no estrangeiro em 2008, mas não especificou sua origem e localização.

A Presidência argentina informa em um comunicado que “Macri nunca teve, nem tem, participação no capital dessa sociedade”. Segundo o texto, a Fleg Trading “tinha como objetivo participar em outras sociedades não financeiras como investidora e holding no Brasil, foi vinculada ao grupo empresarial familiar de modo que o Senhor Macri foi ocasionalmente designado como diretor, sem participação acionária”. A Presidência argentina esclarece que a empresa não aparece nas declarações de Macri porque “só devem ser registrados os ativos e ele nunca foi acionista dessa sociedade, por isso não é preciso incluí-la”.

Um porta-voz do Governo argentino disse ao EL PAÍS que as contas que aparecem absolutamente não são de Mauricio Macri, mas do grupo familiar Socma e afirma que o grupo “declarou essas contas”, de modo que descarta que o presidente argentino tenha sonegado impostos em alguma ocasião. De qualquer forma o porta-voz afirma que são assuntos anteriores à entrada de Macri na política e sempre ligadas ao seu grupo familiar, um dos mais importantes da Argentina.

Vários funcionários e empresários ligados ao kirchnerismo também aparecem ligados a paraísos fiscais nos últimos anos. Entre eles destaca-se o nome de Daniel Muñoz, um dos homens mais próximos a Kirchner, investigado três anos atrás em uma acusação de suposta lavagem de dinheiro. De acordo com os documentos vazados pelo site Wikileaks e pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) Muñoz participou em uma sociedade das Ilhas Virgens Britânicas a partir de 2013, quando já havia se retirado do cargo público. Ele e sua esposa, Carolina Pochetti, tornaram-se acionistas da empresa de fachada Gold Black Limited, dirigida pelo empresário argentino Sergio Todisco. Este declarou ao jornal La Nación que sua função era “administrativa” e figurativa” e afirmou ter aceito o cargo na diretoria por sua “amizade” com o ex-secretário presidencial.

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