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Cotação do dólar cai e Bolsa dispara com expectativa de mudança de Governo

Investidores consideram que nova ação da PF contra Lula pode acelerar destituição de Dilma

Incertezas políticas fazem a cotação do dólar cair no Brasil
Partidários de Lula se enfrentam com a polícia durante protesto perto da casa do ex-presidente. REUTERS

O mercado financeiro reage com euforia à nova fase das investigações da Operação Lava Jato que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início da tarde, o índice Ibovespa, referência da Bolsa de Valores de São Paulo, avançava 4,22% aos 49.182 pontos. Na máxima, a Bolsa chegou a subir 6%, atingindo 50.023 pontos.

O otimismo também se traduziu em uma queda forte da moeda norte-americana. Nesta sexta-feira, o real apresentava a maior valorização ante o dólar entre as moedas de países emergentes. No início do dia, o dólar despencou 3% e chegou a ser cotado a 3,68 reais, o menor patamar desde setembro do ano passado. Às 13h40, a queda recuou um pouco. A moeda norte-americana caía 1,78% frente ao real, a 3,73 reais.

O vazamento de parte da suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS-PT) já havia influenciado os mercados financeiros no Brasil na quinta-feira. O dólar fechou em seu menor patamar desde 10 de dezembro e a Bolsa de Valores subiu mais de 5%. A alta da Ibovespa é generalizada, no entanto, a maior contribuição vem dos papéis de empresas estatais com destaque para a Petrobras. As ações preferenciais da petroleira subiam 13,09%% às 14h, cotadas a 7,34 reais. No início da manhã, as ações chegaram a subir quase 20%.

Os analistas consideram que as últimas notícias podem acelerar o processo de destituição da presidenta Dilma Rousseff, alvo de um processo de impeachment, e, por isso, vêm sendo bem recebidas pelos investidores. "A nova fase da Operação Lava Jato enfraquece ainda mais a imagem do PT. Os investidores acreditam que a retomada da confiança acontecerá apenas com a troca da liderança, que apoiam uma troca de Governo para a retomada da confiança", afirma Camila Abdelmalack, da Capital Markets. Para a economista, o mercado já começou a "precificar" o aumento da possibilidade da saída da presidenta.

De acordo com a consultoria Eurasia, os novos desdobramentos da Operação Lava Jato aumentam as pressões sobre as chances de impeachment. A consultoria, que estimava em 40% a possibilidade de saída da presidenta, afirmou em relatório que após a operação envolvendo Lula, é improvável que Dilma termine seu mandato.

"Parece que os mercados estão ignorando a possibilidade que que haja um período de maior incerteza política e apostam  na possibilidade de que novas eleições provoquem um giro na direção de políticas mais centristas e pró-mercado", pondera Neil Shearing, economista  chefe de mercados emergentes da Capital Economics, em uma nota a clientes. Caso Dilma fosse destituída do cargo, segundo a lei, ela sereia substituída pelo vice-presidente, o que provocaria uma mudança de Governo sem a necessidade de convocar novas eleições, um processo muito mais longo e complicado.

De fato, alguns especialistas advertem que o tom positivo dos mercados pode não durar muito, uma vez que os investidores constatem que o processo de destituição de Rousseff não será imediato e que, durante esse tempo, o Brasil pode afundar em um caos ainda maior.  Nesta quinta-feira, a divulgação do PIB ( Produto Interno Bruto ) confirmou que a economia brasileira se contraiu um 3,8% em 2015, o que supõe a pior recessão do país desde os anos 90, quando precisou de um resgate financeiro dos organismos internacionais. 

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