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Governo promete que vacina contra o zika vírus será testada em um ano

Parceria com os EUA deve agilizar produção, mas a distribuição da imunização ocorre em três anos

Vacina contra o zika
O ministro Castro durante coletiva, em Brasília. REUTERS

No dia em que o Governo brasileiro confirmou o terceiro caso de morte relacionada ao zika vírus no país, o Ministério da Saúde anunciou que dentro de um ano será possível testar a primeira vacina contra o vírus. A disponibilização da imunização para a população, no entanto, deve demorar cerca de três anos. O prazo é otimista, levando em conta o tempo de produção de outras vacinas, como a contra a influenza A (H1N1), que levou quase quatro anos.

Os testes só serão possíveis, segundo o ministro Marcelo Castro, por conta de uma parceria firmada entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos que envolveu o Instituto Evandro Chagas e a Universidade do Texas. As duas instituições trabalharão em conjunto nas pesquisas. A gestão Dilma Rousseff se comprometeu a investir 1,9 milhão de dólares nos estudos. O montante que o governo Barack Obama investirá não foi informado.

De acordo com o diretor do Instituto Evandro Chagas e coordenador do lado brasileiro da pesquisa, Pedro Fernando Vasconcelos, a celeridade da investigação será possível porque os testes em animais serão feitos de maneira simultânea nos dois países. Os americanos farão os exames nos camundongos e os brasileiros, em macacos. “Essa simultaneidade irá acelerar o processo de seis a oito meses”, explicou o especialista.

Outro fator que deve colaborar na rápida produção da vacina é uma parceria que está sendo firmada entre as agências reguladoras dos dois países, a Anvisa e a FDA. A ideia é que ambas acompanhem todos os passos da pesquisa e liberem a produção e distribuição da vacina o quanto antes. A técnica usada para a produção da vacina contra o zika, segundo Vasconcelos, será semelhante a que ocorreu com o ebola.

O ministro afirmou que outras duas parcerias entre entidades brasileiras e americanas estão sendo firmadas para o estudo do tema. Uma entre a Fiocruz e a empresa GSK, que produziu recentemente uma vacina contra o ebola, e outra entre o Instituto Butantan e o NIH (Instituto Nacional de Saúde).

Ao mesmo tempo em que anunciou essas medidas, o ministério informou que, finalmente, se abriu para receber técnicos estrangeiros que estudarão a relação do zika com os casos de microcefalia e a síndrome neurológica de Guillain-Barré. Nos próximos dias, 15 profissionais do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos virão ao Brasil para iniciar uma investigação dos casos envolvendo bebês. Até o fim de fevereiro estão previstas ainda as visitas de profissionais da Organização Mundial da Saúde e da FDA.

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