Seleccione Edição
Login

Saliva e urina têm potencial de transmitir o zika vírus, diz Fiocruz

Pesquisadores detectaram o vírus ativo nesses dois locais, mas ainda não é possível garantir que há transmissão

Bebês com microcefalia durante tratamento.
Bebês com microcefalia durante tratamento. AP

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entidade ligada ao Ministério da Saúde brasileiro, afirmam que zika vírus ativo foi encontrado na saliva e na urina de pacientes infectados. Segundo a Fiocruz, mais pesquisas precisam ser feitas para se confirmar a transmissão do zika vírus por esses dois meios, mas a descoberta indica que há potencial. Nesta semana, os EUA também confirmaram a presença do vírus no sêmen e a transmissão por via sexual.

Até o momento, a forma mais prevalente de contaminação é o mosquito Aedes aegypti, que transmite também a dengue e a febre chikungunya. A presença em urina e saliva já havia sido detectada, mas é a primeira vez que se verifica que o zika vírus está ativo. “Já se sabia que o vírus poderia estar presente tanto em urina quanto em saliva. Esta é a primeira vez em que demonstramos que o vírus está ativo, ou seja, com potencial de provocar a infecção, o que abre novos paradigmas para o entendimento das rotas de transmissão”, destacou em nota a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Fiocruz.

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde declarou a microcefalia potencialmente causada pelo zika vírus uma emergência mundial e disse que o vírus tem se expandido de maneira “explosiva”. Esta rápida expansão do zika chamou a atenção dos especialistas, pois difere do que se via, até o momento, com as demais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. A transmissão por saliva, se confirmada, ajudaria a explicar isso.

Na véspera do Carnaval, a notícia de uma possível transmissão por beijo causou preocupação entre foliões. Mas, em uma coletiva de imprensa, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, afirmou que apenas gestantes precisam tomar mais preocupações, até que se saiba mais. A recomendação é que elas evitem aglomerações, compartilhar copos e talheres e beijar na boca, especialmente se há casos suspeitos da doença na família. As grávidas são o principal grupo de risco para a doença, por conta da microcefalia, uma malformação que pode ter afetado 3.670 recém-nascidos desde o final de outubro de 2015.

Para o restante da população o risco costuma ser baixo. Em 80% dos casos, as pessoas que contraem a doença não manifesta qualquer sintoma. E, em outra parte dos casos, os sintomas são menos graves: manchas vermelhas no corpo, coceira e febre baixa, por exemplo. O zika vírus, entretanto, também é apontado como responsável pelo aumento de casos de outra doença neurológica no país, a Síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia.

Nesta sexta-feira, o jornal O Globo apontou também que a cidade do Rio de Janeiro registrou um aumento expressivo de casos da síndrome. Desde o começo do ano, o Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, atendeu 16 pacientes com a condição que haviam tido zika semanas antes. Seis deles permanecem internados, dois em estado grave. Geralmente, o hospital recebe cinco casos por ano, destacou o jornal. O mesmo aumento de casos havia sido detectado na Bahia, no ano passado, durante a epidemia de zika.

MAIS INFORMAÇÕES