Movimento passe livre

PM veta trajeto do MPL, e protesto no centro de São Paulo é reprimido

Secretaria de Segurança diz que rota eleita pelo Movimento Passe Livre colidiria com outro ato

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O acordo ruiu. O acerto tácito entre ativistas do Movimento Passe Livre e a Polícia Militar de São Paulo para que os dois mais recentes protestos se realizassem na cidade sem sobressaltos não funcionou nesta quinta-feira, quando os ativistas convocaram o quinto grande ato contra o aumento da tarifa de transportes. A Secretaria de Segurança Pública do Governo Alckmin divulgou nota dizendo que não seria possível o trajeto escolhido pelo movimento, e divulgado horas antes, para a marcha no centro de São Paulo porque havia outro protesto "que está sendo realizado no Viaduto do Chá", de perueiros. A PM também argumentou que o MPL divulgou muito tarde percurso. O MPL contestou a informação - o protesto anterior já havia se encerrado, argumentaram - e rejeitaram também a nova rota definida pela polícia para o trajeto.

A situação era tensa por volta das 19h30 porque, desta maneira, se repetia as circunstâncias nas quais, no dia 12 de janeiro, a polícia reprimiu duramente a marcha do MPL na av. Paulista e a impediu de acontecer. Ainda assim, os manifestantes iniciaram a marcha, que transcorreu sem problemas até a praça da República. Houve novo impasse. A PM proibiu que os manifestantes seguissem para a av. 23 de Maio, em direção à Assembleia Legislativa (Alesp), o roteiro original do MPL, e eles tentaram forçar a barreira. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e o grupo maior foi dispersado. Segundo os socorristas do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP), ao menos 16 pessoas ficaram feridas por estilhaços de bombas, spray de pimenta e cassetete.

A divulgação do roteiro é uma exigência da Secretaria de Segurança, que diz se basear no "aviso prévio" de manifestações previsto na Constituição. O alcance do artigo constitucional em questão é tema controverso. Não está explícito na Carta o detalhamento de um percurso, mas alguns constitucionalistas argumentam que no espírito do texto está a ideia de que se avise uma rota para que as autoridades possam se preparar e eventualmente orientar mudanças nos serviços públicos.