Bola de Ouro

Messi ganhará a Bola de Ouro 2015

FIFA reconhecerá pela quinta vez Leo Messi como o melhor jogador do mundo

Messi ganhará a Bola de Ouro em 2015.
Messi ganhará a Bola de Ouro em 2015.Andreu Dalmau (EFE)

“O quinto? Achei que ele já tivesse cinco”, comentou Johan Cruyff num dos seus passeios pelo resort El Montanyà. Johan, como Platini, Van Basten e Cristiano Ronaldo, tem três Bolas de Ouro em casa. Quando viu pela primeira vez aquele menino que chamavam de A Pulga, numa rua da sua Rosário natal, o holandês não imaginou aonde chegaria. “Nem eu mesmo acredito”, costuma dizer o pai dele, Jorge, recordando que, quando deixou a Argentina levando Leo pela mão, nunca imaginou que acabaria vivendo disso.

A realidade superou o sonho do menino que não falava, que “parecia mudo”, conforme recorda Piqué da sua época do infantil. “Eu o conheci desde criança. Sempre me transmitiu bondade. E isso não mudou. Continua me gerando a mesma sensação”, acrescenta Cesc Fábregas, que sempre o achou o melhor de todos, desde moleque. “É e será sempre. Não haverá ninguém igual a Leo.”

Todos os finalistas

Bola de Ouro: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Leo Messi (FC Barcelona) e Neymar (FC Barcelona).

Bola de Ouro futebol feminino: Carli Lloyd (Houston Dash), Aya Miyama (Okoyama Yonugo Belle), Célia Sasic (Francfort).

Treinador do ano: Luis Enrique (FC Barcelona), Pep Guardiola (Bayern Munich), Jorge Sampaioli (Chile).

Treinador do ano, futebol feminino: Jill Ellis (Estados Unidos), Mark Sampson (Inglaterra), Norio Sasaki (Japão).

Prêmio Puskas, ao melhor gol: Alessandro Florenzi (Roma), Wendell Lira (Vila Nova), Leo Messi (FC Barcelona).

Sylvinho, primeiro a dividir armário com ele, num canto do vestiário do Camp Nou, se lembra de um colega “silencioso e tranquilo”. “Quem diz que sabia que o Leo acabaria sendo o que é hoje mente”, diz. “Sabíamos que ele era especial, que tinha algo diferente, mas era impossível imaginar que chegaria a ser o que é”, confirma Ronaldinho, que se gaba de ter dado a Leo a assistência para o primeiro gol oficial dele pelo Barça. Messi foi uma das razões pelas quais Txiki Begiristain insistiu a Laporta para que vendesse o brasileiro. “O Ronnie gostava muito do Leo, mas era melhor afastá-lo [Messi] da sua influência”, explicou o então presidente.

Desde aqueles anos, acolhido por Valdés, Piqué, Xavi, Puyol e Iniesta, Messi transformou o inacreditável em rotina, com a bola enfiada dentro do pé – “Não a conduz grudada, a conduz dentro do pé”, escreveu o escritor uruguaio Eduardo Galeano –, a ponto de fazer desaparecer a capacidade de surpresa da torcida, de fazer com que os goleiros e zagueiros rivais parassem de se frustrar, assumindo sua incapacidade de freá-lo, e de levar os treinadores a reconhecerem que diante de Leo “não há estratégias nem táticas que sirvam”, como admitiu Sandoval, técnico do Granada, no sábado passado no Camp Nou. “Vocês precisam ficar juntinhos, se ajudar muito... Mas, quando Messi está em campo, é impossível pará-lo, e quando você acha que não está, quando acha que está num dia ruim, só lhe resta rezar para que realmente não esteja. Mas aí ele aparece, e de nada servem as rezas”, afirma o técnico.

Leo tem um núcleo duro de amigos, quase todos vinculados ao vestiário ou à família, e se mantém muito ativo no grupo de WhatsApp do time, que lidera com humor. De lá, meio em brincadeira e meio a sério, terminou uma noite, no final da temporada passada, arrancando uma grana extra do presidente Bartomeu. O menino tímido, que alguns tomam por bobo por causa desse acanhamento, desse olhar fugidio e desses silêncios – “Sim, todos escutamos essa ladainha”, admitem no vestiário – acabou sendo o mais preparado. “Quando outros vão, ele já voltou três vezes”, costuma dizer Guardiola, rindo.

“O Leo? De bobo o Leo não tem nada. É mais esperto que a fome”, atalha Carles Naval, delegado da equipe, a quem o mais surpreendente da Pulga foi que “sendo quem é, seja tão normal”. “O anormal em Leo é isso, que seja tão normal”, insiste. De fato, Leo tem fama de tratar muito bem os funcionários, embora profissionalmente seja muito exigente. “Com o fraco é muito protetor. E reconhece na hora quem está de má-fé”, dizem em seu núcleo duro. “É o mais preparado de todos, em campo e fora dele. Mas dissimula”, ri Piqué. “Assim como no campo, encontra um espaço onde ninguém o viu, para receber um passe sozinho, mesmo que no segundo seguinte três zagueiros caiam em cima dele. Leo domina a situação como ninguém, seja onde estiver”, admira-se Carles Puyol, que foi seu capitão e agora se dedica ao coaching junto com Iván de la Peña.

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Puyol justifica o fato de Leo não se cansar de superar um recorde atrás do outro: “Acho que o futebol é a paixão dele, o que mais ele gosta de fazer, por isso é um jogador supercompetitivo, sempre quer ganhar tudo. Cada ano é melhor porque, além da sua excepcional qualidade, tem um talento natural, vontades e entusiasmo”, enumera. “Ele não diz: ‘Quero ganhar uma Bola de Ouro, não se expõe. Mas sabe que é um prêmio que estará lá; e sabe que, se o time for bem, que se a equipe ganhar, e ele jogar, terá chances de que chegue”.

De onde tira essa capacidade competitiva? Luis Enrique acredita que tenha a ver com sua personalidade de um número um mundial, de um jogador único e irrepetível. “Há um objetivo coletivo que o atrai e continua a motivá-lo ano após ano. Depois há algo individual, único e particular, que esse tipo de jogador tem, capaz de ir batendo recordes continuamente e de continuar sendo o melhor com o passar do tempo. Não tenho nenhuma dúvida de que isso vai durar enquanto ele continuar querendo”. “No fundo, em Leo é tudo muito natural. Ele tem um talento incrível, e além disso, gosta do que faz, se diverte, e, afinal de contas, se você faz o que sente de verdade sai melhor”, pensa Guardiola. O asturiano e o catalão foram indicados ao prêmio de melhor treinador do ano, mas não irão à cerimônia.

O 10 irá acompanhado de Iniesta, que avisa: “Tenho muito respeito e carinho por Leo, porque comigo ele o conquistou”, afirma. “Quando me perguntam como é, sempre digo: é o melhor. Porque, sendo o melhor como jogador, é difícil ser tão bom sujeito”, admite Iniesta, para quem La Pulga é “incrível” pela influência que tem no jogo, jogue onde jogar. “Em campo, há vezes em que você pensa: ‘Nossa, não pode ser, ele voltou a fazer isso’. Mas o impressionante é que no jogo seguinte não só volta a fazer como ainda se supera. E assim está há 10 anos, sem parar.” E nessas, diz Messi: “Não quero ser o melhor jogador do mundo. Basta que digam de mim que sou uma boa pessoa.”