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Obama prevê medidas unilaterais de controle de arma

Presidente se reunirá com a Procuradora Geral para decidir o que é possível fazer apesar do Congresso

Barack Obama, no início de dezembro. Ampliar foto
Barack Obama, no início de dezembro. EFE

Ano novo, problema velho, um último esforço. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou 2016 disposto a tentar, mais uma vez, encarar um problema que o está perseguindo durante todo seu mandato, do qual lhe resta apenas este ano: como conter a violência das armas, um problema que chegou a níveis “epidêmicos” em todo o país, segundo o governante. E tudo demonstra que ele está disposto a driblar o Congresso se for preciso para obter algum avanço nesta “tarefa por resolver”, como a chamou na sexta-feira, dia 1o de janeiro.

A ponto de encerrar suas férias natalinas, Obama antecipou no primeiro dia de 2016 suas prioridades e o calendário político do início do ano. E no topo da lista está a difícil questão das armas. Na segunda-feira, em seu primeiro dia de trabalho na Casa Branca, Obama se reunirá com a responsável máxima pela Justiça, a Procuradora Geral Loretta Lynch, para estudar que ações unilaterais podem ser adotadas para aumentar o controle de armas.

“Há alguns meses, pedi a minha equipe que analisasse que ações [executivas] posso baixar para ajudar a reduzir a violência das armas. E nesta segunda-feira me reunirei com nossa Procuradora-Geral para discutir as opções”, anunciou Obama em sua transmissão radiofônica semanal, que costuma fazer aos sábados mas que, neste caso, adiantou um dia.

O governante não revelou sobre quais medidas concretas falará com Lynch, mas, segundo os meios de comunicação norte-americanos, algumas delas seriam voltadas a endurecer as regras para os vendedores de armas, ampliando, entre outras questões, a exigência de contar com uma licença para esta atividade. Isso, por sua vez, os obrigaria os vendedores a ter de verificar os antecedentes dos compradores antes de concluir a venda de uma arma. Por mais que as lojas de armas já o façam, a regulamentação não se aplica às transações realizadas nas numerosas feiras de armas em todo o país graças a uma lacuna na lei que lhes permite alegar, pelo menos até o momento, que não são, tecnicamente, varejistas.

Segundo as informações divulgadas, o pacote de ações executivas poderia ser divulgado na próxima semana.

Não é a primeira vez que o presidente democrata tenta promover medidas para conter a violência das armas ou, pelo menos, controlar o acesso a elas. Ele tentou —e chegou a acreditar que conseguiria— depois da chacina de Newtown, em dezembro de 2012, quando foram massacradas 20 crianças e seis adultos. O pacote de iniciativas foi barrado no Senado, que se negou a aprovar suas propostas de ampliar os procedimentos de verificação de antecedentes e proibir as armas de assalto, assim como os carregadores de grande capacidade.

O presidente continuou batendo de frente com a oposição do Congresso apesar dos repetidos tiroteios em massa que o país viveu desde então. Em todo o seu mandato, Obama teve de enfrentar mais de 15 massacres. Também o último, o ataque terrorista de San Bernardino, no qual foram abatidas 14 pessoas no início de dezembro, conseguiu convencer os reticentes da necessidade de se fazer algo para controlar quem pode andar armado no país.

Em sua mensagem, Obama deixa transparecer mais uma vez essa impaciência e frustração que ele tenta controlar toda vez que tem de aparecer diante do público depois de uma nova matança. Apesar de todas as tragédias, “o Congresso continua sem fazer nada”, lamenta Obama. Mesmo assim, prossegue o presidente, vai tentar mais uma vez, “porque recebo cartas demais de pais, professores e crianças para ficar sentado sem fazer nada”. O presidente democrata garante não estar sozinho em sua convicção de que “a Segunda Emenda garante o direito de portar armas” mas “podemos proteger esse direito ao mesmo tempo em que impedimos que grupos de pessoas irresponsáveis e perigosas causem dano em escala maciça.”

Texas permite que se carregue armas à vista

Para os texanos fanáticos pelas armas, a verdadeira comemoração do novo ano aconteceu ao meio-dia desta sexta-feira nas escadarias do Capitólio da capital desse estado sulista, Austin. Foi onde se concentraram todos que estavam dispostos a fazer uso imediato da nova lei que entrou em vigor com a chegada de 2016 e que permitirá, pela primeira vez desde o fim da Guerra Civil norte-americana, que os portadores de armas com licença possam mostrar sua arma em público, em vez de ter que usá-la escondida. Quase um milhão de pessoas —dos 27 milhões de habitantes do Texas— poderão se valer desta lei que conseguiu passar pelo Congresso local apesar das advertências de seus detratores, que temem o efeito que pode ter na população ver como as pessoas passeiam mostrando abertamente sua arma.

"Não vejo como introduzir armas de fogo na vida diária vai melhorar as coisas", disse o congressista democrata Diego Bernal, segundo a agência Reuters. A organização Open Carry (porte aberto, em tradução livre), promotora da lei, porém, comemorou a mudança da lei como um primeiro passo no sentido de seu objetivo final de que seja permitido a todos os donos legais de armas portá-las em público sem necessidade de solicitar uma licença para isso e de pagar também uma taxa. "Se você pode comprar e ter uma pistola legalmente, deveria poder portar essa arma legalmente sem ter de implorar a autorização do governo", afirma a organização.