Fenômeno El Niño

Pior cheia em 20 anos deixa 160 mil sem casa no Brasil e países vizinhos

Chuvas fizeram os rios transbordarem no Paraguai, Uruguai e Argentina. Seis morreram

Dilma sobrevoa áreas alagadas em Uruguaiana.
Dilma sobrevoa áreas alagadas em Uruguaiana. Roberto Stuckert Filho (PR)

Mais de 160.000 pessoas tiveram de ser retiradas de suas casas e levadas para casas de amigos, escolas, ginásios ou barracas montadas com urgência diante das piores inundações em mais de 20 anos para as populações que vivem à margem de rios compartilhados por Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai. Devido a chuvas intensas provocadas pelo fenômeno do El Niño, os rios Paraguai, Paraná e Uruguai, que servem de fronteira entre esses países, transbordaram. Seis pessoas morreram e se espera que as águas comecem a baixar a partir deste domingo.

No Brasil, as cheias do Uruguai e do Queraí atingiram várias cidades do Rio Grande do Sul, deixando 6.500 desabrigados. A Ponte Internacional da Concórdia, que liga o Brasil e o Uruguai, foi interditada por 22 horas, pois o rio alcançou a marca de 14 metros, considerada preocupante para a segurança local. Segundo a Defesa Civil, 12 prefeituras decretarem situação de emergência: Liberato Salzano, Trindade do Sul, Nonoai, Santo Ângelo, São Miguel das Missões, Guarani das Missões, Roque Gonzales, Cândido Godói, Uruguaiana, Quaraí, Passa Sete e Não Me Toque.

A presidenta Dilma Rousseff, que passou o feriado de Natal com a família em Porto Alegre, aproveitou a passagem pelo Estado para ver de perto os estragos da região. Ela sobrevoou, na manhã deste sábado, as áreas atingidas pelas enchentes. A bordo de um helicóptero, Dilma saiu com destino à Base Aérea de Canoas, na Região Metropolitana, e em seguida embarcou em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em direção a Uruguaiana. A presidenta  também deveria se reunir com os prefeitos das cidades atingidas, acompanhada de representantes do Ministério da Defesa.

Ruas de Assunção, no Paraguai, ficaram inundadas.
Ruas de Assunção, no Paraguai, ficaram inundadas. (EFE)

O Paraguai é o país mais afetado pelas inundações. Mais de 130.000 pessoas tiveram de deixar suas casas e quatro morreram. A cheia do rio Paraguai obrigou 90.000 moradores de Assunção a deixarem suas casas. Nas calçadas da capital paraguaia foram montadas as chamadas ‘chacaritas’ (favelas) dos desabrigados, que improvisaram casas de madeira. O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, declarou estado de emergência, e destinou um orçamento especial de 3,5 milhões de dólares (14 milhões de reais) para prestar ajuda aos afetados. Do outro lado da fronteira, na província argentina de Formosa, a cidade de Clorinda também tem desabrigados.

Na Argentina os deslocados somam 20.000, metade na cidade de Concordia, na província de Entre Ríos. Também há vítimas nas províncias de Chaco, Corrientes, Misiones e Santa Fe. Duas pessoas morreram, uma delas eletrocutada. O novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, viajou de férias para a Patagônia, mas enviou a vice-presidenta, Gabriela Michetti, o chefe do Gabinete de Ministros, Marcos Peña, e o ministro do Interior, Rogelio Frigerio, para visitar as zonas alagadas pelos rios Paraguai, Paraná e Uruguai e coordenar a distribuição de ajuda. No Uruguai são 5.500 os afetados pela enchente do rio Uruguai. Os departamentos (províncias) mais castigados pelas inundações são Artigas, Salto e Rivera.

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