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O que significa ser “adepto” do Estado Islâmico

Grupo jihadista aplaude ataque de San Bernardino e chama de “mártires” seus autores

A carteira paquistanesa de Tashfeen Malik.
A carteira paquistanesa de Tashfeen Malik. REUTERS

O boletim da rádio Al Bayan, braço de mídia do Estado Islâmico (EI), mencionou nesta sexta-feira duas vezes o ataque de Tashfeen Malik e Syed Farook em San Bernardino (Califórnia). Nas duas ocasiões -dois parágrafos curtos quando o conteúdo é transcrito-, o locutor do EI chama os agressores de “seguidores”, exalta seu “martírio” e aplaude a morte de 14 pessoas no atentado. Não se trata, pois, de reivindicar o ataque, mas de aproveitar as informações sobre o apoio que Malik, a mulher paquistanesa, tinha dado ao grupo jihadista nas redes sociais.

Como a paquistanesa, há centenas –ou milhares- de pessoas que de um modo ou de outro exprimem seu “apoio” ao EI, a organização jihadista com maior ritmo de crescimento, graças a uma propaganda azeitada nas redes sociais e a um território ainda em seu poder na Síria e no Iraque. Também há grupos armados que manifestam sua lealdade. Mas sem a aceitação do califa Abubaker al Bagdadi não se pode falar em adesão à organização.

Quando o EI está por trás de um atentado e assume sua autoria –como, por exemplo, no caso dos atentados de novembro em Beirute- faz isso, normalmente com detalhes, por meio da Al Bayan ou de sua agência de notícias, a Amaq, com qualificativos para os perpetradores como “soldados” ou “leões” do califado. Malik e Farook correspondem ao que os especialistas em jihadismo chamam de terroristas “inspirados” no EI, sem pertencer a nenhuma célula nem ter vínculos operacionais, diferentemente da natureza organizacional do ataque em Paris no dia 13 de novembro.

Ou seja, Malik e Farook, segundo os dados fornecidos até agora pela investigação e segundo seu modus operandi e a reação do EI, são lobos solitários radicais, ao estilo do australiano Man Haron Monis, que atacou um café em Sidney no dia 15 de dezembro. Os dois agressores do atentado de San Bernardino, ele norte-americano, e ela, paquistanesa, seguiram, além disso, o padrão habitual de radicalização e matrimônio, conhecendo-se pela Internet e se casando na Arábia Saudita.

Com isso, os Estados Unidos são alvo tanto dos terroristas simpatizantes ou inspirados no EI, como afirmou o porta-voz do grupo, Abu Mohamed al Adnani no ano passado, quanto de suas células operacionais, focadas em cometer atentados contra os que participam da coalizão formada contra ele.

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