_
_
_
_
Reorganização escolar paulista
Tribuna
São da responsabilidade do editor e transmitem a visão do diário sobre assuntos atuais – tanto nacionais como internacionais

A educação sentimental de Geraldo Alckmin

Se é preciso deixar bem claro e justificado o motivo para fechar uma escola que seja no Brasil, o que dizer de mais de 90?

Rodolfo Borges

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Governador Geraldo Alckmin visita a FENATRAM e o Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga, em novembro.
Governador Geraldo Alckmin visita a FENATRAM e o Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga, em novembro.Eduardo Saraiva (A2img)

Depois de cerca de 200 escolas espalhadas pelo Estado de São Paulo terem sido ocupadas e de os alunos terem tomado as ruas da cidade em protesto, a reorganização escolar paulista foi suspensa. A mobilização dos estudantes da rede estadual de ensino foi uma reação ao plano que previa o fechamento de 93 escolas. E não é que eles estivessem se posicionando contra o plano, porque, a julgar pelo que dizem, os alunos não o conhecem. Daí a pergunta: se em um país com o histórico educacional do Brasil é preciso deixar bem claro e justificado o motivo para fechar uma escola que seja, o que dizer de mais de 90?

Mais informações
Governo Alckmin se prepara para “guerra” e alunos vão para as ruas
Repressão de Alckmin inaugura a nova fase da reorganização escolar
Reforma escolar às pressas leva estudantes às ruas contra Alckmin

Ninguém elabora um projeto educacional pra fechar dezenas de escolas por pura maldade — ou imaginando que o ensino vá piorar em consequência disso. Então, poupemos por enquanto o secretário Herman Voorwald em relação ao plano. Até porque o membro do Governo Geraldo Alckmin já foi condenado em julgamento popular pela falta de transparência desse processo. À sombra das meninas em flor que desabrocharam pelas ruas do país nesta primavera, já devia estar bem claro às autoridades e gestores públicos que não dá mais para ignorar a população, principalmente em decisões que afetam diretamente a vida das pessoas.

Essas pessoas que vão para as ruas e ocupam espaços públicos não estão necessariamente corretas em suas demandas ou opiniões. Na maioria dos casos, inclusive, devem estar erradas — não são especialistas em educação, em deposição de presidentes ou segurança de barragens, só para ficar nos últimos acontecimentos. Mas o fato de estarem saindo às ruas sem a tradicional mobilização partidária é um ótimo indicativo de vontade de participar. E o caso das escolas de São Paulo, mais do que qualquer outro dos motivos que geraram protestos neste ano, parece o mais emblemático da distância entre o poder público e a população.

Isso ficou claro nas propostas do Governo para negociar com os estudantes que ocupam as escolas. A Secretaria de Educação de São Paulo basicamente se propôs, em sete diferentes tópicos, a informar as escolas sobre o plano e ouvir a opinião de grêmios, associações de pais e conselhos escolares acerca do projeto. Se esses procedimentos já não haviam sido feitos, resta perguntar aos responsáveis o que exatamente eles fizeram para elaborar a reorganização. Porque se as escolas não são posse dos alunos que as tomaram, também não pertencem aos governos que vêm e vão, e muito menos aos que simplesmente permanecem, anos a fio.

Em meio a tudo isso, o governador que, especula-se, pretende virar presidente da República em 2018, seguiu impassível, tocando sua agenda normalmente por semanas até optar pela suspensão, na esperança de que os encontros entre estudantes e policiais pelas ruas da cidade — que só renderam imagens diárias de jovens feridos — resolvessem um problema criado dentro dos gabinetes do próprio Governo. Por mais brilhante e efetiva que a reorganização escolar pudesse vir a se provar, aparentemente ela foi sepultada pela falta de traquejo político-social dos responsáveis pelo projeto. Para quem ainda tem alguma ambição política, essa não pode ser uma lição tão difícil de aprender — ou pelo menos decorar.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_