Atentado san bernardino

Estados Unidos: uma matança por dia

Estados Unidos registraram mais de mil tiroteios nos últimos três anos

Mulher se aproxima da área onde a polícia de San Bernardino capturou os suspeitos.
Mulher se aproxima da área onde a polícia de San Bernardino capturou os suspeitos.Jae C. Hong (AP)

Os Estados Unidos são um dos poucos países do mundo onde o porte de arma legal está previsto na Constituição. Um massacre como o desta quarta-feira em San Bernardino — o pior desde o de Sandy Hook, em 2012 —, com 14 mortos e 17 feridos, traz à tona algumas das consequências do fato de a lei permitir que haja, no país, mais armas do que habitantes, assim como chama a atenção para as diferenças com os demais países. A seguir, alguns dados:

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92 mortes diárias por arma de fogo

Nos Estados Unidos, 92 pessoas morrem, em média, por dia por armas de fogo. São 1,45 milhão de mortes — por homicídio, suicídio ou acidente — desde 1970, uma pessoa a cada 16 minutos. O colunista do The New York Times Nicholas Kristof chamou a atenção para esse dado, lembrando que essa quantidade supera o total de mortos registrado em todas as guerras nas quais o país se envolveu em sua história. De acordo com a campanha Brady contra a Violência por Armas de Fogo, há, ainda, 297 pessoas feridas todos os dias.

29,7 homicídios a cada milhão de habitantes

Os Estados Unidos estão à frente nesse item em uma comparação com o Canadá e vários países europeus feita pelo jornal The Guardian, que, além disso, mostra as suas grandes diferenças com outras nações. Seus 29,7 mortos por arma de fogo a cada milhão de habitantes superam, de longe, os 7,7 da Suíça, 5,5 do Canadá e 2,7 da Dinamarca.

Mais de mil tiroteios desde Sandy Hook

A chacina em uma escola infantil de Connecticut em 2012 abalou os Estados Unidos, mas esse choque não foi suficiente para impulsionar reformas capazes de regulamentar o porte de armas. Desde então, passados 1.066 dias, o país testemunhou 1.052 massacres em que pelo menos quatro pessoas foram baleadas em cada incidente. Nesses três anos, morreram 1.312 pessoas e outras 3.700 ficaram feridas, segundo levantamento do Mass Shooting Tracker.

Mais menores do que policiais

Morrem mais crianças menores de 6 anos por arma de fogo do que policiais na ativa. Segundo dados do Centro de Controle de Enfermidades norte-americano, em 2013, 82 crianças perderam a vida por causa de armas de fogo, ante 27 policiais.

Um tiroteio por semana

Uma linha do tempo elaborada pelo The Washington Post registra mais de uma matança com várias vítimas por semana durante todo o segundo mandato do presidente Barack Obama. Nesse vídeo, também estão compiladas todas as suas intervenções e como se deu a evolução de seu discurso a cada reação diante dos grandes massacres dos últimos anos.

Comparação com vítimas de terrorismo

Desde 2001, 10.000 pessoas por ano, em média, perderam a vida por disparos de armas de fogo. Em contrapartida, com exceção dos atentados do 11 de Setembro, que deixaram quase 3.000 mortos, o Departamento de Justiça e o de Estado não registram, praticamente, nenhuma morte, por ano, por causa de ações terroristas dentro das fronteiras dos Estados Unidos.

Quase tantas armas quanto habitantes

Os Estados Unidos representam 4,4% da população mundial, mas seus habitantes possuem 42% das armas em posse de civis em todo o mundo. Com 321 milhões de habitantes, as autoridades calculam que haja cerca de 270 milhões de armas de uso privado entre a população, o que representa a proporção mais elevada do planeta.

Quanto mais armas, mais mortes

Vários estudos, como este da revista Mother Jones, já demonstraram que os estados com maior número de armas por habitante são os que registram também o maior número de mortes por disparos de armas de fogo. Os grupos e políticos que rejeitam a regulamentação das armas argumentam, em muitos momentos, que a violência de ataques como o de San Bernardino poderia ser combatida — ou ter seus efeitos diminuídos — se mais cidadãos portassem armas.

Massacres com mais de um atirador

Os Estados Unidos consideram como chacinas “maciças” aquelas em que se registram mais de quatro mortes. A maioria dos massacres com mais mortos ocorridos desde 1984 foram cometidos por homens e por atiradores solitários. O desta quarta-feira foi uma exceção, que se soma a apenas dois casos precedentes:

  • Jonesboro, março de 1998. Dois estudantes do Arkansas, de 13 e 11 anos, atiraram contra seus colegas de escola aproveitando o caos que provocaram ao disparar o alarme de incêndio. Cinco pessoas foram mortas — quatro estudantes e um professor — e outras dez ficaram feridas. Os dois permanecem em presídios para menores até que cumpram 21 anos de idade.
  • Columbine, abril de 1999. Uma dezena de estudantes e um professor são mortos na pior chacina em uma escola dos Estados Unidos até então. Seus autores, Eric Harris e Dylan Klebold, cometeram suicídio após a matança, na qual mais de 20 pessoas ficaram feridas.

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