Operação Lava Jato

Após gravação de Delcídio, Romário se contradiz e admite conta na Suíça

Senador foi citado em gravação que aponta para aliança forçada com o prefeito do Rio O ex-jogador pede uma investigação do Ministério Público

O senador Romário, na Suíça.
O senador Romário, na Suíça.Facebook

O senador Romário voltou atrás sobre a conta no banco Suíço BSI. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira, ele admitiu pela primeira vez que foi correntista do banco. “Quando jogava na Europa, tive conta no BSI, só não sei o ano.” Romário disse ainda que não sabe se a conta foi realmente fechada e que é possível que ela ainda esteja aberta. As declarações vão contra tudo o que o senador vinha dizendo desde que a revista Veja publicou em 24 de julho a existência da conta. Na época, Romário foi até a Suíça e disse que “o banco admitiu que nunca tive vínculo com eles”. A revista voltou atrás e pediu desculpas ao político. Agora, a história toma um rumo totalmente diferente.

Em seu Facebook, o ex-atleta disse que nesta sexta-feira protocolou um ofício no Ministério Público pedindo para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contate o Ministério Público Suíço para que seja instaurada uma investigação sobre a conta no banco suíço BSI. “A suposta fraude para me favorecer merece ser apurada e uma nova resposta deve ser dada a todos os cidadãos brasileiros, em especial aos cariocas e fluminenses que a mim confiaram o seu voto.” O problema para Romário seria não ter declarado o dinheiro que estava na conta (cerca de 7,5 milhões de reais) à Justiça Eleitoral, que mostrou que o ex-atacante possuía patrimônio de 1,312 milhão de reais em 2014, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro.

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O assunto voltou à tona nessa semana porque Romário foi citado pelo senador Delcídio do Amaral (PT) em gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, que levou para a prisão Delcídio e o CEO do Banco BTG Pactual, André Esteves. No diálogo, gravado por Bernardo em 4 de novembro, Delcídio do Amaral fala sobre uma reunião "estranha" em seu gabinete, naquele mesmo dia, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, seu braço-direito e pré-candidato ao cargo em 2016, Pedro Paulo Carvalho, Romário e o senador Ricardo Ferraço. Segundo Delcídio, Paes aproveitou o encontro para informar ao senador, na frente de Romário, que os dois haviam fechado um acordo para que o ex-jogador desistisse da candidatura à prefeitura do Rio em 2016 e apoiasse Pedro Paulo. O motivo da aliança forçada por Paes, de acordo com Delcídio do Amaral, foi a suposta conta que Romário teria no banco Suíço BSI, divulgada pela revista Veja e depois desmentida pelo veículo diante da negativa do próprio banco, apresentada por Romário. O prefeito do Rio é irmão de Guilherme da Costa Paes, um dos diretores e sócio do BTG Pactual, que comprou o banco BSI em 2014 e a hipótese é que poderia ter usado o irmão para costurar o apoio do ex-jogador.

Uma foto foi tirada na ocasião, com todos os citados por Delcídio de mãos unidas, e começou a circular na quinta-feira nas redes sociais.

Depois da divulgação da gravação, Romário e Paes se contradisseram sobre a aliança para a prefeitura em 2016. Durante a inauguração do estádio de canoagem slalom na quinta-feira, no Complexo Esportivo de Deodoro, Paes confirmou o acordo com Romário. “Tenho um entendimento com o senador Romário. Se ele não se candidatar, ele vai apoiar o Pedro Paulo.” No dia anterior, porém, Romário tinha usado as redes sociais para negar apoio ao candidato de Paes: “Não é novidade para ninguém que o prefeito Eduardo Paes tem interesse que eu apoie o seu candidato à sucessão. Deixo claro que não tenho nenhum acordo com ninguém.”

Agora, a afirmação de que realmente teve conta no banco BSI se soma à série de desencontros e desmentidos que estão fazendo dessa história o capítulo mais conturbado da vida política de Romário. Novos desdobramentos deverão vir à tona em breve.

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