Operação Lava Jato

Após gravação, Romário e Paes se contradizem sobre apoio em 2016

Citados por Delcídio do Amaral, políticos deram versões opostas entre quarta e quinta

O senador Romário, na Suíça.
O senador Romário, na Suíça.

Uma situação que já estava confusa ontem ficou ainda mais difícil de entender nesta quinta-feira. Citados por Delcídio do Amaral na gravação que levou o senador do PT e o CEO do Banco BTG Pactual, Andre Esteves, para a prisão, Romário e Eduardo Paes (PMDB) se contradisseram a respeito da aliança para a prefeitura do Rio em 2016. Os dois principais envolvidos na história contada por Delcídio apresentaram versões diferentes sobre os desdobramentos daquele encontro em 4 de novembro.

Durante a inauguração do estádio de canoagem slalom nesta quinta, no Complexo Esportivo de Deodoro, Paes confirmou a aliança com Romário. “Tenho um entendimento com o senador Romário. Se ele não se candidatar, ele vai apoiar o Pedro Paulo.” Já Romário usou as redes sociais, na própria quarta-feira, para negar apoio ao candidato de Paes: “Não é novidade para ninguém que o prefeito Eduardo Paes tem interesse que eu apoie o seu candidato à sucessão. Deixo claro que não tenho nenhum acordo com ninguém.”

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No cenário atual, só a oficialização das candidaturas no ano que vem vão mostrar para onde pende a balança. De concreto mesmo, além de negar tudo o que foi dito na gravação de Delcídio, Romário disse apenas que vai processar o advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, que participou do diálogo revelado. Romário o chamou de "advogado de um bandido".

Contas na Suíça

Em diálogo gravado pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, em 4 de novembro, Delcídio conta  a Bernardo a respeito de uma reunião "estranha" em seu gabinete, naquele mesmo dia, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, seu braço-direito e pré-candidato ao cargo em 2016, Pedro Paulo Carvalho, Romário e o senador Ricardo Ferraço. Uma foto foi tirada na ocasião, com todos os citados por Delcídio de mãos unidas, e começou a circular nesta quinta-feira nas redes sociais.

Segundo Delcídio, Paes aproveitou o encontro para informar ao senador, na frente de Romário, que os dois haviam fechado um acordo para que o ex-jogador desistisse da candidatura à prefeitura do Rio em 2016 e apoiasse Pedro Paulo. O motivo da aliança forçada por Paes, de acordo com Delcídio do Amaral, foi a suposta conta que Romário teria no banco Suíço BSI, divulgada pela revista Veja e depois desmentida pelo veículo diante da negativa do próprio banco, apresentada por Romário. O prefeito do Rio é irmão de Guilherme da Costa Paes, um dos diretores e sócio do BTG Pactual, que comprou o banco BSI em 2014 e a hipótese é que poderia ter usado o irmão para costurar o apoio do ex-jogador. O problema para Romário seria não ter declarado o dinheiro que estava na conta à Justiça Eleitoral, que mostrou que o ex-atacante possuía patrimônio de 1,312 milhão de reais em 2014, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro.

O diálogo que cita Romário

Delcídio – O problema, rapaz, hoje eu tava com minha agenda toda organizadinha só a partir das 13 horas. Pra acabar de complicar ainda mais o jogo aparece o Eduardo Paes, com Pedro Paulo, e com Romário. E com o Ferraço.

Edson – Ué, fizeram acordo, né?

Delcídio – Diz o Eduardo que fez.

Edson – Tinha conta realmente do Romário.

Bernardo – Tinha essa conta?

Delcídio – E em função disso fizeram acordo.

Edson – Seu amigo, então, foi comprado. Tira porque senão você vai preso.

Delcídio – O que eu achei estranho, ele ter chegado. Eu perguntei “o que você está fazendo aqui, Romario? "Não, não, vim acompanhar o Eduardo"…

Edson - Esquisito.

Delcídio – Esquisito pra caramba.

Edson – Essa é informação que me deram.

Delcídio – Aí o Eduardo falou assim… Delcidio –porque o Eduardo tenho intimidade, o Eduardo foi companheirão meu aqui, principalmente na CPI dos Correios, ele foi meu braço direito aqui– aí (Eduardo Paes) disse Delcídio eu chamei aqui o Romário, ele falou na frente do Romário… chamei o Romário, nos acertamos uma aliança para o Romário apoiar o Pedro Paulo. Mas tem esse motivo.

Edson – Foi o que eles disseram... quem pode melhor apurar é você.

Delcídio – Porque…não é possível, hoje quando eles chegaram…"Ué, o que vocês tão fazendo aqui juntos?” Aí o Eduardo explicou, diz que fizeram uma composição juntos.

Edson – Para apoiar o Pedro Paulo.

Delcídio – Eu fui tirar uma foto com ele, né? Ia tirar uma fotografia com todo mundo com a mão assim, uma em cima da outra. Eu não entendi mais nada.

Edson – Loucura, né?