Médicos Sem Fronteiras

EUA afirmam que Afeganistão solicitou ataque a hospital de MSF

O Pentágono nega agora que suas forças recebessem fogo inimigo em Kunduz

Parte do hospital da MSF que não foi atacada.
Parte do hospital da MSF que não foi atacada.MSF (AFP)

O Exército dos Estados Unidos mudou nesta segunda-feira a sua versão sobre o bombardeio, no sábado, de um hospital localizado na cidade afegã de Kunduz, no qual morreram 22 pessoas. O comandante norte-americano no Afeganistão, general John Campbell, afirmou que forças de segurança afegãs acossadas por ataques de talibãs pediram a intervenção aérea norte-americana, a qual atingiu um centro médico gerido pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Depois do bombardeio, Os Estados Unidos afirmaram que suas próprias tropas estavam sendo atacadas e solicitaram apoio da força aérea.

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“Um ataque aéreo foi solicitado a fim de destruir a ameaça talibã, e vários civis foram atingidos acidentalmente”, disse Campbell nesta segunda-feira em entrevista coletiva concedida no Pentágono. O general, que voltou a Washington para depor nesta terça-feira ao Congresso sobre o ataque contra civis, evitou admitir a responsabilidade norte-americana pelo ocorrido, argumentando que é preciso aguardar o encerramento das investigações determinadas pelo presidente Barack Obama.

Críticas da MSF

Campbell sugeriu pela primeira vez que forças especiais norte-americanas, em Kunduz, tiveram algum papel no ataque depois de receber um pedido de ajuda das forças afegãs. Mas se negou a precisar o quanto os militares norte-americanos se aproximaram do hospital.

A MSF afirma que não havia nenhum enfrentamento nos arredores do hospital em Kunduz, cidade ocupada pelos talibãs na semana passada, e que comunicou ao Exército norte-americano as coordenadas exatas do hospital justamente para evitar que este fosse alvo de um bombardeio.

Depois da entrevista coletiva, a organização humanitária criticou a mudança de versão do Departamento de Defesa norte-americano, que procura transferir a responsabilidade para as autoridades afegãs.

“A verdade é que foram os Estados Unidos que atiraram essas bombas. Eles atingiram um hospital enorme, cheio de pacientes feridos e de pessoas da MSF”, afirmou, em nota, o diretor da organização, Christopher Stokes. “O Exército dos Estados Unidos continua sendo responsável pelos alvos que ataca, mesmo que faça parte de uma coalizão. Não pode haver justificativa para esse horrível ataque”.

A Casa Branca anunciou que a OTAN também fará uma investigação própria sobre o ataque, independentemente daquelas realizadas pelas autoridades norte-americanas e afegãs. O general Campbell afirmou que espera que os resultados preliminares saiam “nos próximos dias”, e prometeu agir contra os responsáveis. “Se erros foram cometidos, nós os admitiremos”, disse. Ele também não descartou a possibilidade de se apoiar uma investigação internacional independente, como foi solicitado pela MSF.

Enquanto isso, a situação em Kunduz conheceu uma melhora do ponto de vista dos interesses norte-americanos no Afeganistão. A intervenção militar da maior potência do planeta teve início em 2001, após os atentados de 11 de Setembro. A polícia e habitantes citados pela agência Reuters afirmam que as forças afegãs recuperaram a maior parte do controle da cidade e que algumas lojas do centro reabriram suas portas pela primeira vez depois de uma semana.

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