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MSF diz que informou EUA após o primeiro ataque e não obteve resposta

A ONG Médicos Sem Fronteiras nega que houvesse talibãs no hospital bombardeado

Incêndio no centro de Kunduz depois do bombardeio.
Incêndio no centro de Kunduz depois do bombardeio. AP

Foram cinco ataques em cinco sobrevoos de um avião militar, às duas horas da manhã. A ofensiva durou 70 minutos. É o que contam os membros do Médicos Sem Fronteiras (MSF) que trabalhavam no hospital de Kunduz, no norte do Afeganistão, atingido por um bombardeio aéreo no sábado. O diretor geral da ONG na Espanha, Joan Tubau, informa que, depois do primeiro projétil, eles entraram em contato com todas as partes implicadas na ação, inclusive com militantes do Talibã. “Depois do primeiro ataque, informamos funcionários dos Estados Unidos e do Afeganistão em Washington e Kabul e não obtivemos resposta”. Depois, sofreram outros quatro ataques nesse mesmo número de passagens aéreas.

O bombardeio causou a morte de 22 pessoas, entre elas, 12 profissionais de saúde locais do MSF e 10 pacientes, sendo três crianças. O centro médico, o único com cirurgia de guerra na região afegã que centraliza a atual ofensiva do Talibã, não funciona mais. “A maioria da equipe está morta ou ferida”, diz Tubau, por telefone. Alguns voluntários que não foram atingidos pelo ataque acabaram transferidos para outras clínicas da cidade.

De acordo com o relato da equipe do MSF no hospital de Kunduz, funcionando desde 2011 – ano passado, atendeu 22.000 pessoas -, a última comunicação com as partes envolvidas no ataque (OTAN/EUA, autoridades afegãs e do Talibã) foi em 29 de setembro. Diante da ofensiva do Talibã sobre a cidade e a resposta das forças afegãs e da coalizão internacional, a equipe da organização detalhou, como faz regularmente, as coordenados da localização do centro médico. O ataque chegou quatro dias depois.

A presença do Talibã

Alguns depoimentos de vizinhos da zona próxima ao centro e de autoridades locais afirmavam que militantes do Talibã haviam feito uma barricada no seu interior. Segundo a ONG, o hospital estava fechado, e dentro dele, estavam apenas profissionais de saúde e pacientes. “Além disso, não havia combates na região”, afirma o seu diretor-geral na Espanha, que descarta a presença do Talibã dentro do local, mas esclarece que não pode ter certeza que não havia militantes nas proximidades. Os EUA reconheceram que os seus aviões atacaram as “cercanias” do hospital.

Durante os 70 minutos de ofensiva aérea, os aviões atacaram a unidade de cuidados intensivos, uma pequena instalação dentro do complexo de saúde. “O ataque foi preciso contra um objetivo claro”, acrescenta Tubau. “Se for demonstrado que foi premeditado, será um crime de guerra”, conclui Tubau, que pede uma investigação “profunda” e “independente”.

O presidente americano Barack Obama comprometeu-se, em um comunicado, a abrir uma investigação “completa” para esclarecer os fatos. Após os resultados, Obama disse que haverá um “juízo definitivo das circunstâncias”. Porta-vozes do Talibã disseram neste domingo que conseguiram recuperar algumas zonas da cidade que haviam sido tomadas pelo exército afegão, de acordo com a emissora de televisão catariana Al Jazeera.

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