O sonho de suceder o PT passa por superar a avaliação ruim da legenda

Na TV, PMDB diz que está pronto para virar o jogo no Brasil. Nas ruas, Cunha é vaiado e Temer tem popularidade ínfima

Eduardo Cunha, depois de um jogo do Flamengo dia 17.
Eduardo Cunha, depois de um jogo do Flamengo dia 17.U. MARCELINO (REUTERS)

Quem assistiu à propaganda do PMDB em rede nacional ou pela internet não tem certeza se a legenda faz parte ou não do Governo Dilma Rousseff (PT). Com a aparição de 50 personalidades peemedebistas, a sigla que há quase 13 anos se aliou ao PT não cita esse elo, demonstra que está “pronta para virar o jogo” no país e diz que o momento é de reunificar os sonhos dos brasileiros. Só não deixa claro de que forma fará isso, tendo em suas fileiras representantes que são vaiados nas ruas, investigados por escândalos de corrupção e com baixíssima aprovação popular.

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Na principal peça publicitária, de dez minutos, que foi ao ar na noite de quinta-feira, os peemedebistas dizem que é imprescindível unir forças. “Colocar o Brasil acima de interesse partidário ou motivações pessoais”, afirmava o vice-presidente da República, Michel Temer.

A propaganda se baseou na ambígua fala de Temer no início de agosto que tinha como interesse defender o Governo Rousseff, mas soou como um aceno à oposição: “É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo e eu estou tomando esta liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o País”.

Além do vice-presidente, participaram da propaganda cinco dos nove peemedebistas investigados pela operação Lava Jato. Estavam lá o deputado Eduardo Cunha, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e os senadores Renan Calheiros, Valdir Raupp e Romero Jucá. Mas se Temer é o 'queridinho' do establishment, que vai do mercado financeiro ao setor empresarial, nas ruas ele ainda é um ilustra desconhecido. A última medição do Ibope divulgado em O Estado de S. Paulo, revela que o vice-presidente tem uma taxa de popularidade de 11% (só três pontos percentuais a mais que a de Rousseff). É o mesmo porcentual de aceitação de Cunha, que se enrola em polêmicas diariamente, depois de ter crescido por afrontar o PT.

Desde que assumiu a presidência da Câmara, em fevereiro deste ano, Cunha tem sido vaiado em uma série de eventos no país. O acontecimento mais recente foi no dia 20, durante um show no Rock in Rio quando um grupo o hostilizou, conforme vídeo divulgado pela revista Veja Rio. Dias antes, o deputado teve de engolir as brincadeiras na rede social de ser pé frio por ter ido ao jogo do Flamengo, seu time no Rio, derrotado pela equipe do Coritiba.

Antes disso, o deputado já ouvira apupos em solenidades em São Paulo e em Porto Alegre quando movimentos sociais o criticaram por sua atuação no Congresso, considerada homofóbica. No caso do show de rock, Cunha disse que havia uma meia dúzia de “petistazinhos” vaiando. No dos movimentos sociais, ele diz que não se importa com as críticas e nega ter qualquer preconceito contra homossexuais.

Em sua fala na propaganda partidária Cunha afirmou que chegou a hora da verdade. “Chegou a hora de escolher que Brasil queremos”. Já Calheiros (9% de popularidade), que ao contrário do colega da Câmara ainda é aliado da gestão Rousseff, sentenciou: “Governos passam, e o Brasil sempre vai ser maior do que qualquer governo. O que a gente tem que defender são os interesses do país.”

Na peça publicitária, os peemedebistas também reclamam de um eventual aumento da carga tributária com a criação de novos impostos, como a CPMF. Um dos políticos pede menos impostos e mais postos de trabalho. A apresentadora da propaganda ressalta: “um Brasil que se dizia tão gentil com seus filhos, de repente resolve cobrar a conta. Isso dói.”

Ao fim do comercial, que foi marcado por um fundo preto e uma música dramática, o 'impopular' Temer deseja dias melhores para todos e reforça o seu intuito de se buscar a união nacional. “Nós todos, unidos, seremos capazes de fazer o Brasil reencontrar o caminho do desenvolvimento”. Não se sabe de que maneira, se com ou sem Rousseff até 2018.