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Fomos advertidos: a mensagem de Angelina sobre os refugiados sírios

Atriz retransmite na internet discurso premonitório sobre a Síria feito em abril na ONU

Angelina Jolie durante participação na ONU em abril.
Angelina Jolie durante participação na ONU em abril.

Graças à internet, as palavras de Angelina Jolie estão sendo ouvidas, nestes dias, nos parlamentos e nas casas de inúmeros cidadãos. A atriz enviou na última segunda-feira ao jornal britânico The Times uma carta, assinada em conjunto com a baronesa Arminka Helic, em que defende “uma saída diplomática que ajude a solucionar o conflito na Síria”. As duas acreditam que o simples acolhimento de refugiados “não resolverá o problema”. A divulgação da carta coincidiu com a visita da atriz à Inglaterra como embaixadora do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

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Quando as suas palavras começaram a circular na internet depois de terem sido publicadas pelo jornal em sua edição digital, não só foram postados, até o momento, mais de 15.000 tuites (segundo dados da Topsy) sobre o assunto, como voltou a se difundir nas redes o discurso por ela pronunciado em abril passado na sede das Nações Unidas, em Nova York, em que denunciava a situação vivida pelos sírios.

“Não deveríamos nos surpreender com o fato de pessoas que sofreram anos de guerra e viveram em campos de refugiados com alimentação precária estejam agora tomando decisões em sua própria defesa. Quantos de nós poderiam dizer honestamente que não fariam a mesma coisa se estivessem no seu lugar, enfrentando o medo, a perda de esperança e uma evidente ausência de vontade política internacional para se acabar com esse conflito?”, escreve Jolie, que tem feito viagens a regiões de conflito como embaixadora. “Nossos vizinhos sírios têm suportado os piores fardos durante anos, com uma generosidade exemplar, e agora precisam de nossa ajuda. Todos os países, todos os governos devem ter um plano claro para assumir suas obrigações internacionais e que leve em conta as necessidades das pessoas”.

Em abril, em Nova York, a atriz utilizou o mesmo tom, em mensagem semelhante, antes mesmo de ocorrer o movimento maciço de refugiados sírios em direção ao litoral europeu. O vídeo, disponível no canal da CNN no YouTube, soma desde então mais de 90.000 reproduções, mas, quando se examina a evolução desse número com base nas estatísticas disponibilizadas pela própria plataforma, pode-se constatar um grande aumento nos últimos dias, coincidindo com a divulgação de sua nova carta.

Ressuscitado, o vídeo chegou à Espanha traduzido, entre outros canais, na página do Nais, uma publicação noticiosa, no Facebook, e registrou mais de um milhão de reproduções desde sua publicação, em 4 de setembro.

Em sua carta, Jolie lembra que, naquilo que ela chama de “uma situação de emergência”, é preciso saber distinguir os diferentes tipos de migrantes. “Deveríamos saber distinguir os emigrantes econômicos, que procuram escapar da pobreza extrema, dos refugiados que fogem de uma ameaça imediata a suas vidas. Todas as pessoas que deixam seus países sob essas circunstâncias trágicas têm de ter os seus direitos humanos e sua dignidade respeitados, assim como suas necessidades compreendidas e atendidas. Não deveríamos estigmatizar ninguém por ansiar por uma vida melhor”.

A atriz não apenas descreve o horror de que foi testemunha, como também faz uma advertência aos países de acolhimento: “Esta não é a primeira crise de refugiados que acontece, e não será a última. Da Europa à América, nossos países se baseiam em uma tradição de ajuda a refugiados, desde os flagelos resultantes da Segunda Guerra Mundial até a crise dos Bálcãs nos anos noventa. A maneira como agiremos neste momento definirá o tipo de nação que somos, a profundidade de nossa humanidade e a força de nossas democracias”.

A carta publicada pelo The Times não é a única declaração pública recente de Jolie. Ele fez também uma visita ao parlamento inglês, durante a qual falou sobre a violência sexual que atinge as vítimas de uma guerra como a da Síria. (Veja abaixo o vídeo em inglês).