Crise de refugiados

Alemanha destina 26 bilhões de reais para acolher refugiados

Governo alemão também vai declarar Kosovo, Montenegro e Albânia países “seguros”

Refugiados tentam deixar a Hungria para a Áustria e a Alemanha, no último dia 3.
Refugiados tentam deixar a Hungria para a Áustria e a Alemanha, no último dia 3. ZOLTAN BALOGH (EFE)

Em um fim de semana no qual a Alemanha recebeu o maior fluxo migratório de sua história e no qual os aliados bávaros da chanceler Angela Merkel a desafiaram publicamente por ter aberto a fronteira para milhares de refugiados, o Governo alemão decidiu na madrugada desta segunda-feira aumentar o orçamento para a política de asilo em 6 bilhões de euros (cerca de 26 bilhões de reais). O acordo entre os três partidos da grande coalizão tem um duplo objetivo: destinar os recursos necessários para lidar com o desafio migratório e acelerar os processos para decidir quais pessoas em busca de asilo vão conseguir o visto de refugiados e quais deverão deixar a Alemanha o mais rápido possível.

O Governo alemão decidiu alocar 3 bilhões de euros (13 bilhões de reais) para ajudar os Estados e municípios a acolher a entrada recorde de refugiados e migrantes, segundo um comunicado conjunto da coalizão governista divulgado nesta segunda-feira.

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Em uma reunião do alto escalão que durou mais de cinco horas, os líderes da coalizão aliada de Merkel (a CDU, liderada por ela, a CSU da Baviera e os social-democratas do SPD) também chegaram a um acordo sobre uma série de medidas para acelerar o processamento de pedidos de asilo e facilitar a construção de alojamentos para os refugiados.

Além dos 3 bilhões de euros alocados aos Estados e Governos, o Governo federal vai usar os outros 3 bilhões para cobrir despesas como o pagamento de subsídios aos que solicitam asilo, de acordo com o comunicado.

A chanceler ressaltou nesta segunda-feira que a chegada de refugiados vai mudar a Alemanha. "O que estamos enfrentando é algo que vai nos ocupar nos próximos anos, que vai nos transformar e queremos que essa mudança seja positiva e acredito que poderemos conseguir isso."

O acordo também ampliou a lista de países considerados "seguros" (o que significa que seus cidadãos não são normalmente perseguidos e, portanto, não têm direito de pedir asilo), que agora inclui Kosovo (origem de um número significativo de pedidos rejeitados pela Alemanha), Albânia e Montenegro. Já fazem parte desse grupo Sérvia, Macedônia e Bósnia.

O objetivo é acelerar os trâmites de asilo e deportação para que o Governo alemão possa se concentrar nos refugiados chegados de países destruídos pela guerra como Síria, Iraque e Afeganistão.

A reunião da coalizão ocorreu depois de um fim de semana no qual cerca de 20.000 refugiados entraram na Alemanha. A Áustria e o Governo alemão fecharam um acordo para que a Hungria flexibilizasse a norma exigindo que os potenciais asilados apresentem seu pedido no primeiro país de chegada da União Europeia.

A decisão de Merkel de permitir que milhares de refugiados instalados na Hungria buscassem um novo lar na Alemanha causou um racha dentro do bloco conservador da coalizão do Governo, ao ser acusada por seus aliados da CSU de enviar um "sinal completamente errado".

A Alemanha espera um recorde de 800.000 pedidos de asilo até o final do ano, de longe, o número mais elevado de toda a UE. Apenas em agosto, a maior economia europeia recebeu 100.000 pedidos.