Empresas aéreas dos EUA proíbem o transporte de troféus de caça

Medida acontece depois da polêmica gerada pela morte do leão Cecil no Zimbábue

A cabeça e a pele de um leão caçado em um safári na África em 2008.
A cabeça e a pele de um leão caçado em um safári na África em 2008.Kathy Willens (AP)

A onda expansiva de indignação popular pela morte do leão Cecil no Zimbábue pelo caçador norte-americano Walter Palmer chegou às empresas aéreas daquele país. As principais companhias aéreas dos EUA, American Airlines, Delta e United, decidiram proibir o transporte de troféus de caça.

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A pioneira foi a Delta, que, em um comunicado nesta segunda-feira, anunciou que, “com efeito imediato”, proíbe o transporte como carga de troféus de caça dos chamados “cinco grandes”: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte. A proibição não se limita a voos para os Estados Unidos, mas é válida em todas as rotas mundiais. Além disso, a Delta disse que vai “revisar” suas políticas sobre o transporte de troféus de caça de outras espécies.

Sua decisão foi rapidamente imitada por outras grandes companhias aéreas e na terça-feira a American Airlines e a United também anunciaram a mesma medida, tomada em plena temporada de caça na África.

O anúncio foi aplaudido nas redes sociais, impulsionadoras em grande parte da decisão das companhias aéreas. “Vitória! A Delta se posicionou contra a caça por troféus!”, comemorou a decisão o site change.org. A plataforma on-line de petições tinha iniciado uma petição neste sentido dirigida à direção da Delta pedindo que copiasse a maior empresa aérea no continente africano, a South African Airways, que proibiu o transporte de troféus de caça dos “cinco grandes”, em abril, muito antes que a morte de Cecil reabrisse o debate sobre esta prática. Não mencionava, no entanto, que a companhia aérea sul-africana tinha levantado a proibição no final de julho, só três meses após sua imposição, como lembrou a Reuters.

A petição on-line, apoiada por celebridades, incluindo a atriz Debra Messing, rapidamente chegou a quase 400 mil assinaturas, uma das possíveis razões pela qual as companhias aéreas tenham dado esse passo que também foi tomado nos últimos meses pela alemã Lufthansa Cargo e a Emirates SkyCargo dos Emirados Árabes Unidos.

Desde que foi revelado que o caçador responsável pela morte lenta de Cecil, no início de julho, foi o dentista de Minnesota Walter Palmer, as redes sociais foram fundamentais para expressar a repulsa social pela caça de troféu. Palmer, que está sendo investigado pelas autoridades dos EUA e o Zimbábue quer que seja extraditado, não só foi forçado a fechar fisicamente sua clínica, mas também teve que desativar todas suas páginas pessoais e as de seu centro médico para evitar o ciberassédio ao qual estava – e em grande parte continua – submetido.

Quando a raiva pública parecia estar diminuindo, as redes sociais voltaram a se ativar esta semana contra outra caçadora norte-americana, Sabrina Corgatelli. Esta contadora da Universidade de Idaho provocou a indignação popular depois de postar em seu perfil do Facebook suas fotos com os vários animais que matou em um recente safári na África do Sul, incluindo uma girafa.

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