Nazismo

Quatro anos de prisão para o ‘contador de Auschwitz’

Gröning, de 93 anos, foi condenado por cumplicidade na morte de 300.000 prisioneiros

Oskar Gröning, de 93 anos. VÍDEO: ATLAS / FOTO: Christian Charisius (atlas)

Oskar Gröning, de 93 anos, pagará no final de sua vida pelos crimes do nazismo que cometeu quando tinha vinte e poucos anos. O Tribunal de Luneburgo condenou o antigo oficial da SS a quatro anos de prisão por cumplicidade na morte de pelo menos 300.000 prisioneiros de Auschwitz. Gröning não participou diretamente da morte de nenhum deles, mas foi considerado responsável por colaborar entre 1942 e 1944 com o aparato criminoso do campo de concentração e extermínio nazista. O caso Gröning gerou um profundo debate na Alemanha sobre os limites da responsabilidade. O ministro da Justiça, o social-democrata Heiko Maas, disse que o processo contribui para aliviar o “grande fracasso” do sistema de Justiça alemão, que só levou aos tribunais cerca de 50 dos 6.500 membros da SS em Auschwitz que sobreviveram à guerra.

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A condenação não garante que Gröning cumprirá a pena. Seu delicado estado de saúde fez com que o julgamento fosse interrompido por alguns dias. Agora é preciso determinar se sua saúde lhe permite ir à cadeia. Mas a decisão significa um claro sinal quatro anos depois do estabelecimento de um precedente pela Justiça alemã. Na época, o ucraniano John Demjanjuk, que havia trabalhado no campo de Sobibor, foi condenado pela morte de 29.000 judeus. Também não ficou demonstrado que Demjanjuk participou diretamente dos assassinatos.

Gröning, que registrava os pertences das vítimas recém-chegadas a Auschwitz, reconheceu a sua culpa no início do julgamento. “Não tenho nenhuma dúvida de que sou moralmente responsável pelo que fiz. Mostro meu arrependimento e a minha humildade diante as vítimas”, declarou. Este é o primeiro processo contra um responsável pelos crimes do nazismo em que o acusado pediu publicamente perdão às vítimas. Há dez anos, numa entrevista à revista Der Spiegel, que o batizou como o contador de Auschwitz, Gröning descreveu a si mesmo como apenas “uma peça da engrenagem”. “Sinto-me culpado perante o povo judeu por ter feito parte de um grupo que cometeu esses crimes. Mas eu não os cometi”, acrescentou na época.

Os que pediam sua condenação mostraram-se satisfeitos com a decisão. “Enche-nos de satisfação comprovar que se pode processar criminalmente os responsáveis pela matança”, disse em comunicado Thomas Walter, advogado de vários dos 70 reclamantes. O Ministério Público, que destacou que o “número quase inimaginável de vítimas” que Gröning ajudou a matar, havia pedido pena de três anos e meio. Os advogados de defesa pediam sua absolvição.