Novo bombardeio contra as FARC mata sete guerrilheiros

É o segundo golpe contra o grupo em três dias. O primeiro após o fim da trégua

Militares colombianos instalam posto em Cauca, na sexta-feira.
Militares colombianos instalam posto em Cauca, na sexta-feira.

Primeiro foi Cauca, no Sudoeste do país, cenário no qual o grupo guerrilheiro perdeu na quinta-feira 27 homens, depois de um bombardeio feito pela Força Aérea da Colômbia, o que levou à suspensão da trégua mantida havia cinco meses e a um passo atrás nas negociações de paz. Agora é Antióquia, no Noroeste, epicentro de um segundo bombardeio, no qual neste sábado morreram mais sete guerrilheiros e um foi capturado.

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A informação é do secretário de Governo de Antióquia, Santiago Londoño, que disse a meios de comunicação locais que a operação militar foi executada numa área da divisa entre os municípios de Segovia e Yondó. A operação, batizada de Magno, estaria atrás do chefe guerrilheiro conhecido pela alcunha de Jairo Mechas, que comanda a frente 4 das FARC, segundo o jornal El Espectador.

Esse novo ataque ocorre um dia depois de o presidente Juan Manuel Santos ter advertido que as operações das forças armadas contra a subversão não seriam interrompidas durante as negociações de paz e que ações como aquela em que morreram 27 guerrilheiros na quinta-feira são para defesa e proteção da população. “Que ninguém se engane. Com a mesma firmeza e decisão com que empreendemos as negociações de paz que permitirão encerrar o conflito que nos açoita há tantas décadas, com essa mesma firmeza continuaremos combatendo sem trégua todas as formas de criminalidade em todos os rincões do país”, disse.

A resposta das FARC foi suspender imediatamente o cessar-fogo, o que fez soar o alarme de recrudescimento da violência. A ONU foi uma das primeiras organizações a manifestarem sua preocupação, porque o aumento das ações militares ocorre justamente quando as negociações precisam de ações de paz que fortaleçam a já fraca confiança dos colombianos numa saída negociada. “Pedimos às partes que reflitam sobre as consequências dessa escalada e resistam a uma lógica de retaliação”, informou um comunicado.

A ONU lembrou que durante os cinco meses que durou a trégua das FARC, que só foi rompida quando os guerrilheiros mataram numa emboscada 10 militares enquanto dormiam, há um mês e meio, houve significativa redução no número de mortos e no impacto humanitário do conflito armado. Os combates e ações com participação das FARC caíram 66% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a ONU, e houve 47% menos mortes de militares. Também diminuiu, em 83%, o número de pessoas deslocadas. “Essas conquistas não devem ser desperdiçadas”, é o apelo da instituição ao Governo e às FARC. A Defensoria do Povo também alertou que depois da suspensão da trégua do grupo guerrilheiro estão em risco 10 departamentos (Estados) do país.

Neste sábado, Santos fez novo apelo às FARC para que acelerem as negociações, que no último ano não produziram avanços substanciais. “Precisamos de avanços, porque o povo colombiano tem paciência finita, não infinita”, ressaltou durante ato de entrega de residências gratuitas em Bogotá.