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Metade das grandes empresas latinas carece de mulheres nos conselhos

No total, 93% dos postos nos conselhos da administração estão ocupados por homens

A presidenta do Global Summit of Women, Irene Natividad.
A presidenta do Global Summit of Women, Irene Natividad. EFE

A metade dos conselhos de administração das grandes empresas latino-americanas é totalmente masculina. Um total de 47 das 100 maiores companhias da região não conta com nenhuma diretora, segundo o relatório divulgado nesta sexta-feira em São Paulo pela Global Summit of Women, um fórum anual que nesta edição reúne mil empresárias de 60 países.

Alguns chamam o evento de Davos das mulheres. As mesas desta sexta-feira davam uma ideia da diversidade de participantes: uma jovem com niqab (um véu que só deixa os olhos descobertos) tomava notas escutando as conferencistas. Ao lado, representantes da República Democrática do Congo, todas com vestidos típicos, teclavam em seus smartphones. E ao lado, uma executiva brasileira de terninho trabalhava com um iPad.

Uma das conclusões do estudo da Mulheres Diretoras de Corporação Internacional (CWDI, na sigla em inglês) é que a igualdade nas altas esferas do trabalho avança lentamente. Em 2005 as diretoras ocupavam 5,1% dos assentos dos conselhos de empresas da América Latina. Em 2015, o porcentual só cresceu 1,3 ponto porcentual. O maior desequilíbrio na representação de mulheres está na Ásia, onde as integrantes dos conselhos são 9,4% do total. Europa (20%) e EUA (19,2%) têm as melhores cifras.

Nenhuma das grandes empresas latino-americanas do relatório tem mais de duas diretoras.

A Colômbia é o país com mais conselheiras: 13,4% do total. No Brasil, país que tem 42 empresas na lista, o porcentual é de 6,3%. A pior representação está no Chile, com 3,2%.

"Existem medidas práticas que os países podem adotar para aumentar a presença de mulheres nas salas de reuniões”, opina Isabel Natividad, presidenta da CWDI. “No Brasil, o projeto de lei de quotas [ainda não aprovado], que exige que um mínimo de 40% dos diretores de estatais sejam mulheres, é uma esperança para o futuro.” Nesta sexta-feira várias CEOs discutiam sobre como tornar mais paritários os órgãos de gestão. Muriel Penicaud, presidenta da agência francesa de investimentos internacionais, foi aplaudida ao dar um conselho às espectadoras: “Não esperem ser perfeitas para se sentarem nos conselhos de administração”.

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