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LUIS ALBERTO MORENO | PRESIDENTE DO BID

“É preciso proteger os avanços sociais na América Latina”

Presidente do BID alerta para os riscos que corre a luta contra a pobreza na região

O presidente do BID, na VII Cúpula das Américas.Alejandro Bolivar (EFE)

A América Latina está desacelerando. A região entrou em um ocaso econômico que põe em perigo seus avanços sociais. Uma década de luta contra a pobreza pode ficar truncada por causa da crise do petróleo e da debilitação global. O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, alerta para esse risco. E pede para acelerar as reformas estruturais. Em uma cúpula invadida pelo otimismo da aproximação Washington-Havana, Moreno indica os problemas a resolver no hemisfério.

Pergunta. A América Latina sofre uma desaceleração econômica. Isso pode pôr a perder os avanços alcançados nos últimos anos?

Resposta. Tivemos uma década de enormes avanços sociais; 15 anos atrás praticamente metade da população vivia na pobreza, hoje são menos de 30%. Por isso, o mais importante é que a política econômica proteja esses avanços sociais. A dificuldade reside na falta de espaço fiscal, esse é o desafio de todos os governos. A única forma de conseguir é acelerando as reformas estruturais pendentes, e aprofundando muito mais na integração econômica entre os países. Existe aí uma importante fonte de crescimento.

P. Que reformas estruturais são necessárias?

R. Desde as pensões até os incentivos para a formalização do emprego. Metade dos postos de trabalho na América Latina está na informalidade. Esse tipo de reformas é central para obter um maior crescimento.

P. A Venezuela atravessa uma situação angustiante, com inflação de 70%. O que aconselha?

R. É preciso tomar decisões econômicas, mas dar conselhos sem que a Venezuela tenha pedido …

Metade dos postos de trabalho na América Latina está na informalidade. São necessárias reformas estruturais para combatê-la

P. Cuba estreia na Cúpula das Américas e no encontro empresarial organizado pelo BID. Há muita expectativa para fazer negócios com a ilha.

R. Aqui estão os espíritos animais do setor privado. São pessoas que veem uma enorme oportunidade em Cuba, um mercado importante de mais de dez milhões de habitantes a 90 milhas do principal mercado do mundo. Vai gerar muito turismo. E têm infraestruturas como o Mariel, um dos portos de águas profundas mais importantes do Caribe, bem situado e com capacidade para se transformar em um importante centro de conexão.

P. Diante dos desafios regionais e da desaceleração generalizada, sente-se otimista ou pessimista?

R. Estamos em uma parte baixa do ciclo, simplesmente. E o escasso crescimento é o principal desafio da política econômica de todos os países latino-americanos.

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