Prostitutas retiram acusação de proxenetismo contra Strauss-Kahn

Mesmo assim, tribunal de Lille, na França, pode ditar sentença contra o ex-diretor do FMI

Dominique Strauss-Kahn sai de seu hotel, em Lille.
Dominique Strauss-Kahn sai de seu hotel, em Lille.FRANCOIS LO PRESTI (AFP)

A tempestade judicial que se abate sobre Dominique Strauss-Kahn parece estar amainando. As três partes civis que entraram no processo acusando o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional de proxenetismo agravado retiraram suas queixas na segunda-feira. Esses envolvidos são a Associação de Equipes de Ação contra o Proxenetismo e duas ex-prostitutas que participaram das orgias organizadas para Strauss-Kahn entre 2008 e 2011, época em que ele dirigia o FMI.

Mas o tribunal de Lille (norte da França) que julga o ex-político francês, conhecido pelas iniciais DSK, ainda pode condená-lo. O proxenetismo agravado é punido na França com 10 anos de prisão e uma multa de até 1,5 milhões de euros (4,8 milhões de reais). “No entanto, é evidente que a situação é agora mais favorável para o DSK”, disse ao EL PAÍS, de Lille, o advogado David Lepidi, que representa a ONG de combate ao favorecimento à prostituição.

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O processo contra DSK e outros 13 imputados, conhecido como Caso Carlton, começou no último dia 2 em Lille e ainda pode durar mais uma semana. A corte ouviu o depoimento de DSK durante dois dias e meio na semana passada, ocasião em que ele se defendeu assegurando desconhecer que as moças que participavam das orgias eram prostitutas. Amigos dele que se encarregavam de levar as mulheres às festas sexuais e que também estão sendo processados agora insistem em que tampouco sabiam que se tratava de garotas de programa. As duas ex-prostitutas constituídas como parte civil no processo declararam que DSK agia com brutalidade em suas exigências sexuais e aparentava não saber que elas eram pagas por seus serviços, mas também acrescentaram que nunca falaram de dinheiro diretamente com o réu.

O promotor Christophe Amunzateguy disse a este jornal que ainda não há nada decidido. “Há um juiz de instrução que considerou, de fato, que DSK pode ter cometido o delito de proxenetismo agravado, e há um tribunal, que agora o julga e que é soberano para decidir a respeito.” Ocorre que, durante a fase de instrução do processo, a promotoria pediu o arquivamento das acusações contra DSK, razão pela qual se espera que nesta terça-feira os promotores reiterem essa posição. “Da nossa parte”, diz Lepidi, “acreditamos que não haja provas suficientes para incriminá-lo”.

A defesa de DSK, formada por três advogados, fará sua exposição na quarta-feira. A partir daí será a vez dos outros acusados. Além da acusação de proxenetismo agravado, eles também são réus pelos crimes de extorsão, ocultação e abuso de confiança, entre outros. A empresa Eiffage aparece como autora da ação que envolve os possíveis delitos financeiros do caso. Um dos acusados é o empresário David Roquet, dono de uma subsidiária da Eiffage na província de Nord-Pas-de-Calais, onde fica Lille. Segundo testemunhas, ele tratava diretamente com as prostitutas que depois levava a DSK em Lille, Paris, Nova York, Washington e Bruxelas; tudo dependia da agenda do ex-político, que deixou o FMI em maio de 2011, após ser acusado de estupro por uma camareira do hotel Sofitel de Nova York.