Esquerda brasileira

PSOL quer aproveitar a ascensão da esquerda antiausteridade europeia

Partido formado por dissidentes do PT esteve na Grécia com Syriza e Podemos

 Alexis Tsipras, do Syriza, e Pablo Iglesias, do Podemos.
Alexis Tsipras, do Syriza, e Pablo Iglesias, do Podemos.YANNIS BEHRAKIS (REUTERS)

A vitória no último domingo do Syriza, partido de esquerda antiausteridade que conquistou espaço em meio à grave crise econômica da Grécia, animou, no Brasil, os militantes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), formado em 2005 por dissidentes do PT descontentes com medidas vistas como “distantes do socialismo” implementadas pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dois membros do PSOL estiveram na Grécia na semana passada para integrar uma espécie de frente internacional de partidos de esquerda, que atuou como observadora das eleições gregas. “Foi uma experiência enriquecedora. Nos dá esperança ver que políticas que também são defendidas pelo PSOL conseguiram sair vencedoras e que já estão sendo implementadas na Grécia”, diz Juliano Medeiros, secretário de comunicação da sigla, que participou do encontro.

Na Grécia, os militantes brasileiros estiveram em contato não só com os principais nomes do Syriza, como também se reuniram com Pablo Iglesias, o líder do espanhol Podemos, partido criado após o 15-M, movimento de 2011 crítico às medidas de austeridade do Governo espanhol diante da crise. Os dois partidos europeus, vistos como “irmãos” pela sigla socialista brasileira, foram convidados a participar do Congresso Nacional do PSOL, que acontece no final do ano. O Syriza já teria aceitado, de acordo com Medeiros.

Com base na experiência dos europeus, o PSOL discute agora como conquistar mais espaço na política brasileira, em meio a uma realidade de crise ainda bastante distante da que impulsionou o Syriza e o Podemos na Europa. O partido aponta, no entanto, similaridades nas escolhas políticas do Governo da petista Dilma Rousseff. “A vitória na Grécia reforça a agenda antiausteridade, mostra que não é o trabalhador que tem que pagar pela crise, como o Governo está fazendo no Brasil”, diz Medeiros, em referência à revisão dos direitos trabalhistas e previdenciários anunciada pelo Governo há um mês e que devem levar a um corte de 18 bilhões de reais em benefícios.

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O contato entre os gregos e os brasileiros é antigo. Em 2012, a própria Luciana Genro, candidata à presidência em outubro passado, esteve na Grécia acompanhando as eleições parlamentares do país. O Syriza, fundado em 2004, crescia diante da rejeição à troika, formada pelo FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, que impunha uma série de políticas de austeridade em troca de empréstimos.

Em maio de 2012, o partido obteve 16,8% dos votos, um aumento significativo para uma sigla que em 2004 havia sido a preferência de apenas 3,3% dos eleitores. Na ocasião, como nenhum dos partidos obteve a maioria necessária para governar e não houve um acordo para a formação de um governo de coalizão, novas eleições aconteceram em junho do mesmo ano, e o Syriza aumentou a vantagem para quase 27%. Conseguiu 71 dos 300 assentos do Parlamento. Fenômeno da era da crise, o Podemos, na Espanha, criado há um ano, também tem grandes chances de sair vitorioso nas próximas eleições espanholas, em novembro deste ano, segundo as pesquisas.

O PSOL, no entanto, ainda patina no Brasil. Genro, uma figura que se destacou por uma defesa aguerrida da pauta socialista nos debates pré-eleitorais, dobrou a quantidade de votos que o partido havia obtido quatro anos atrás, mas ainda assim só alcançou a preferência de 1,55% dos eleitores. O resultado foi ligeiramente melhor no eixo Rio-São Paulo, motor da série de protestos que atingiu o Brasil em 2013. A sigla, atuante desde o início dos protestos junto aos jovens participantes, também aumentou de três para cinco o número de deputados, numa Câmara composta por 513 cadeiras.

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