Segundo mandato

Sob protesto de ex-ministra, Dilma indica novo titular da Cultura

De volta ao Ministério após quatro anos, Juca Ferreira é criticado por Marta Suplicy

Juca Ferreira quando ministro, em 2010.
Juca Ferreira quando ministro, em 2010.Marcello Casal Jr. (ABr)

A presidenta Dilma Rousseff acrescentou mais um nome à sua equipe de segundo mandato nesta terça-feira: o sociólogo Juca Ferreira, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo, vai assumir o Ministério da Cultura no lugar de Ana Cristina da Cunha Wanzeler, ministra interina desde novembro, quando Marta Suplicy entregou a carta de demissão a Dilma. E veio da própria Marta a crítica mais ágil e contundente à nova escolha de Dilma.

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Minutos após o anúncio em nota da Secretaria de Imprensa da presidência, a senadora do PT paulista foi às redes sociais para escrever: "Nada mais sintomático do que [o ex-ministro da Saúde e candidato derrotado do PT nas últimas eleições ao governo de São Paulo] Alexandre Padilha, aquele que foi rejeitado pelo povo paulista, nas últimas eleições, para anunciar Juca Ferreira no Ministério da Cultura". Segundo a ex-ministra, "a população brasileira não faz ideia dos desmandos que este senhor promoveu à frente da Cultura brasileira", e "o povo da Cultura, que tão bem o conhece, saberá dizer o que isto representa".

O disparo de Marta, que já havia entrado em atrito com o governo quando deixou o cargo, em novembro, se soma às críticas que a presidenta vem recebendo pelas escolhas que tem feito para seu segundo Governo. Nesta semana, um grupo de renomados atletas se disse "envergonhado" pela escolha da petista para o Ministério do Esporte, o deputado federal George Hilton, do PRB, que não tem nenhum histórico de relação com o tema. Dilma também foi criticada, entre outras escolhas polêmicas, por movimentos sociais ao apontar a senadora Kátia Abreu, do PMDB, como nova ministra da Agricultura, em mais um esforço para contentar seus aliados.

Retorno

O baiano Juca Ferreira assume o Ministério da Cultura pela segunda vez. A primeira foi durante o governo Lula, em 2008, quando substituiu o músico Gilberto Gil, com quem trabalhou durante mais de cinco anos no MinC como secretário executivo, entre 2003 e 2008. Na sua primeira passagem pelo ministério, que durou dois anos, Juca colaborou na formulação dos Pontos de Cultura, programa que levou para São Paulo.

Dos 39 ministérios, faltam ser anunciados 14 nomes, e a expectativa é de que a maioria deles, como o atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, seja mantida no cargo em anúncio aguardado para esta quarta-feira. A indicação do novo ministério tem sido feita em blocos pela presidenta. No fim de novembro, nomes que de credibilidade no mercado financeiro, como o futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy, foram indicados para a equipe econômica. Dias depois, o senador Armando Monteiro, do PTB, foi apontado para assumir o Ministério do Desenvolvimento.

Na semana passada, Dilma anunciou 13 ministros, todos membros de partidos aliados do governo, como PMDB, PSD, PROS, PCdoB e PRB. Foram divulgados os nomes de Gilberto Kassab (PSD) para o Ministério das Cidades, Cid Gomes (PROS) para a Educação e Aldo Rebelo (PCdoB) para a Ciência e Tecnologia. Além disso, foram indicados os peemedebistas Eduardo Braga, para Minas e Energia, e o petista Jaques Wagner, para a Defesa.

Nesta segunda-feira, mais sete nomes foram divulgados, entre os quais alguns remanejamentos: Ricardo Berzoini vai assumir a pasta das Comunicações. Ele será substituído por Pepe Vargas na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Miguel Rossetto, que chefiava o Desenvolvimento Agrário, vai para a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Gilberto Carvalho, que deixa o Governo. Antonio Carlos Rodrigues, ex-senador pelo PR, irá para o Ministério dos Transportes.

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