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Holanda investiga série de homicídios ligados ao crime organizado

Briga iniciada há dois anos pelo controle de um carregamento de cocaína se intensifica

A brasileira Luana Luz Xavier, de 34 anos, foi morta a tiros no dia 8 de dezembro na frente dos filhos, em sua casa, perto de Amsterdã. Dona de uma loja de roupas na capital, ela era ex-namorada de Najib H., mais conhecido como Ziggy, que estaria envolvido em vários homicídios. Foragido há meses, Ziggy é procurado pela polícia por sua amizade com Gwenette Martha, famoso traficante de origem antilhana baleado em maio a poucos quilômetros da cidade. Martha, que tinha uma longa ficha criminal, levou 80 tiros em plena rua. Os pistoleiros fugiram em um carro, que depois foi encontrado vazio e queimado.

Nos dois últimos anos, houve outros 13 crimes similares na capital holandesa e seus arredores. Talvez vinte, suspeita a polícia. Uma espiral de violência desencadeada em 2012 com uma disputa pelo controle de um carregamento de cocaína desembarcado no porto belga de Amberes, que levou a uma guerra entre gangues rivais – com integrantes de todo tipo: desde holandeses de origem marroquina, de ascendência antilhana, turca ou holandeses nativos – ao mais puro estilo mafioso. Há chantagens, emboscadas com tiroteios e vinganças, e os autores são cada vez mais jovens.

A situação é tão preocupante que a prefeitura, a polícia e o ministério da Justiça trabalham juntos. Querem fechar os negócios dos suspeitos que ajudam os bandidos. Por enquanto, a polícia decidiu ocultar Luciara e Wabia, irmãs de Luana. Dizem que é “para sua segurança”, mas Mark Teurlings, advogado da família, queixa-se de não ter sido informado a tempo. Sem as clientes à vista, optou por defender a honra da falecida, que qualifica de “mãe excelente e muito dedicada aos filhos e à loja”. “Não andaria envolvida com drogas”, garante.

Há 20 dias, uma brasileira de 34 anos foi morta a tiros na frente dos filhos em sua casa perto de Amsterdã

O problema é que Gwenette Martha reconheceu em julgamento ter utilizado a empresa de Luana para lavar dinheiro. “Já sei que é ilegal, sinto muito. Mas é muito rentável”, disse, muito tranquilo, do banco dos réus. Os investigadores acreditam que a morte da brasileira tenha sido uma vingança por uma emboscada fracassada da gangue de Martha contra um rival.

Em 10 de dezembro, só dois dias depois de Luz Xavier se tornar a primeira mulher assassinada em um contexto mafioso na Holanda, foi morto em Amsterdam Murat Huseyin Garki, de 25 anos, de origem turca. Segundo Paul Vugts, jornalista do jornal Het Parool, Garki estava envolvido em um conflito com outros criminosos por causa de remessas de droga. “Mas não participava do núcleo duro desse ajuste de contas”, diz o jornalista especializado em crime organizado.

“Esses crimes são difíceis de resolver porque os carros utilizados nas fugas acabam incendiados e ninguém quer falar. Em parte, por medo de represálias. Depois, porque em torno dos liquidados também pode haver delinquentes”, declarou Pim Jansonius, chefe da polícia de Amsterdã, ao jornal De Telegraaf.

Sobre a escalada da violência, configurado na substituição do fuzil kalashnikov pelas bombas na rua, Jansonius acredita que se trata de algo psicológico. O medo de ser executado leva a adiantar-se e atirar no rival primeiro, e assim se produz uma reação em cadeia. Contudo, um valentão notável já foi condenado. Trata-se de Benaouf A., o homem acusado de começar a guerra da cocaína no porto belga. Passará dez anos na prisão.