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Ex-gerente diz que alertou Graça Foster pessoalmente sobre desvio

Aumenta a pressão sobre a cúpula da Petrobras depois que Venina Velosa conceder uma entrevista . Ela disse ter medo, mas promete não recuar

Venina Velosa, em entrevista ao Fantástico.
Venina Velosa, em entrevista ao Fantástico. Reprodução / TV Globo

A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca disse na TV neste domingo ter alertado, inclusive "pessoalmente", a atual presidente da companhia, Graça Foster, a respeito de irregularidades e desvios em contratos.

Ao Fantástico, da TV Globo, o programa de maior audiência do domingo à noite, Venina rebateu o argumento de Graça Foster de que ela teria sido pouco clara em suas denúncias a respeito de um esquema de corrupção na empresa, objeto de investigação da Operação Lava Jato.

"Eu estive com a presidente pessoalmente quando ela era diretora da área de gás e energia. Naquele momento, nós discutimos o assunto", disse Venina, que citou nome de vários integrantes da diretoria como também sabedores dos desvios.

"Se isso [a denúncia] não está suficientemente claro, eu, como gestora, posso falar o seguinte: eu buscaria uma explicação principalmente de uma pessoa que eu tinha muito acesso. Nós sempre tivemos muito acesso. Eu conhecia a Graça na época que ela era gerente de tecnologia, na área de gás, e era gerente do setor na área de contratos. Éramos próximas", seguiu a funcionária.

A entrevista aumenta ainda mais a pressão sobre a atual cúpula da empresa e pode ter reflexos no mercado, onde as ações da companhia vem sofrendo expressiva queda. A oposição tem cobrado que a presidenta Dilma Rousseff demita Graça, que é sua amiga, e toda atual direção da empresa.

Na sexta, as denúncias de Venina já haviam se tornado oficiais, quando ela própria confirmou ao Ministério Público Federal, durante depoimento de cinco horas, que o comando da empresa sabia dos desvios.

Venina virou personagem chave do escândalo há nove dias, quando e-mails seus direcionados à Graça Foster foram revelados pelo jornal Valor Econômico.

Segundo a reportagem, a ex-gerente da diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras tentou alertar os diretores da empresa sobre ilícitos desde 2008.

Por quase 30 minutos, Venina falou pausadamente sobre as denúncias e negou ter sido cúmplice do esquema de corrupção em algum momento. Também rechaçou ter beneficiado o ex-marido em um contrato com a Petrobras.

"[Se] eu tenho medo? Eu tenho medo. Mas eu não vou parar, eu espero que os empregados da Petrobras. Porque eu tenho certeza que não fui só eu que presenciei", disse a ex-gerente, que afirmou ter recebido ameaças quando começou a falar sobre os desvios.

Como já havia aparecido na reportagem do Valor, Venina contou episódio no qual Paulo Roberto Costa, seu ex-chefe hoje acolhido no regime de delação premiada da Operação Lava Jato, teria perguntado se seu objetivo com as denúncias era " derrubar todo mundo". No relato de Venina, Costa aponta para um retrato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Você quer derrubar todo mundo?, emendou a repórter do programa.

"Não. O que eu quero é uma empresa limpa. O que eu quero é que os funcionários da Petrobras possam sentir orgulho de trabalhar nessa empresa."

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