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Principal grupo Talibã paquistanês reúne dezenas de facções radicais

O denominado Movimento dos Talibãs do Paquistão defende um Estado islâmico

Latif Mehsud (no centro), antigo número dois do Talibã paquistanês preso em 2013, na região tribal de Orakzai, em 2008.
Latif Mehsud (no centro), antigo número dois do Talibã paquistanês preso em 2013, na região tribal de Orakzai, em 2008. afp

O principal grupo Talibã paquistanês, o Movimento dos Talibãs no Paquistão (TTP na sigla em inglês), assumiu a autoria do ataque desta terça-feira a uma escola na cidade paquistanesa de Peshawar, no qual mais de uma centena de pessoas morreram, a maioria crianças. É o segundo atentado mais grave que o país sofreu em 15 anos, depois da onda de ataques suicidas em agosto de 2007.

O TTP é um guarda-chuva que agrupa cerca de trinta facções jihadistas armadas que pretendem estabelecer um Estado islâmico e que lutam contra o Governo de Islamabad. Nasceu em 2007, sob a liderança do Baitullah Mehsud -morto no ataque de um drone norte-americano em 2009- no calor da explosão da insurgência islamita contra o regime militar então liderado pelo general Pervez Musharraf. As autoridades paquistanesas acusam Baitullah Mehsud de ter orquestrado o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em dezembro de 2007, segundo um relatório elaborado por Zachary Laub e publicado pelo laboratório de ideias Council on Foreign Relations em novembro de 2013.

Hakimullah Mehsud, primo de Baitullah Mehsud, assumiu a liderança do TTP entre 2009 e novembro de 2013, quando morreu em outro ataque aéreo dos Estados Unidos. Os militantes do talibã paquistaneses escolheram então o mulá Fazlullah como líder. Fazlullah, que até o momento de sua nomeação tinha sido chefe do Talibã do vale do Swat, é acusado de ter ordenado o atentado contra a jovem ativista pelo direito à educação das meninas, Malala Yousafzai, que neste ano recebeu o prêmio Nobel da Paz e que nesta terça-feira condenou o ataque à escola de Peshawar.

A violência no Paquistão vem aumentando, principalmente a partir de 2007, pois os grupos terroristas atacaram políticos, militares e policiais, líderes tribais, a minoria xiita e escolas. Estas últimas costumam ser um objetivo do Talibã, especialmente os colégios para meninas. O ataque desta terça-feira é um dos piores dos últimos anos no país asiático, que sofreu no começo de novembro um atentado que causou 57 mortos e 112 feridos no posto fronteiriço de Wagah, na divisa do Paquistão com a Índia.

Segundo o recente relatório de um centro de estudos local, no ano passado houve no país mais de 1.700 ataques -61% deles realizados pelo TTP e seus aliados- nos quais morreram cerca de 2.500 pessoas, 19% a mais do que em 2012, informa a Agência Efe.

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