Jack Nicholson, o amor sem esperança de Anjelica Huston

A atriz publica ‘Watch me’, a segunda parte de suas memórias, centradas em sua relação com o ator

Anjelica Huston e Jack Nicholson, em julho de 1974.
Anjelica Huston e Jack Nicholson, em julho de 1974.J. Wasser (Getty Images)

Anjelica Huston recordava menos de um ano atrás ao EL PAÍS que embora tenha desfrutado ser parceira amorosa de Jack Nicholson, ela é muito mais que isso. Fiel ao que diz, a atriz, diretora, modelo, produtora e agora escritora dividiu sua biografia em dois livros. Na primeira, A story lately told, contou sua vida como filha do grande diretor e ator John Huston, sua infância na Irlanda e seu início como modelo. Agora é a vez de Watch me, publicada esta semana. Nestas memórias, ela conta sua outra vida, a de atriz e, durante 17 anos, namorada dessa força da natureza chamada Nicholson.

Dezessete anos não consecutivos e não monogâmicos dos quais desfrutou, mas nos quais, segundo ela, também sofreu. “Naquela época, não passei tão bem”, admite Huston durante a promoção do livro. Nele, fala das infidelidades do ator, que acabou deixando-a por outra mulher – 12 anos mais jovem que ele. Fala ainda da violência de gênero que sofreu nas mãos de Ryan O’Neal. Da morte de seu pai e de seu último grande amor, o escultor Robert Graham. Recorda também quando o diretor Roman Polanski se relacionou com uma menor na casa de Nicholson e foi acusado de violação. “O que ocorreu é coisa dele”, declarou naquela época a atriz.

Como diz a revista Entertainment Weekly, são muitas as biografias de famosos que parecem saquinhos de batatas fritas: muito ar e pouca substância. Não é o caso de Watch me. Huston se aprofunda em suas relações e em seu comportamento neste volume que escreveu – por recomendação de Lauren Bacall – à mão, com um lápis do número 2 em papel pautado amarelo. “O mais difícil foi encontrar adjetivos que descrevessem o que aconteceu”, acrescentou a atriz do filme A família Addams.

Huston e Nicholson se conheceram em uma festa em 1973. Naquela mesma noite, fizeram amor. No dia seguinte, ela aprenderia uma frase recorrente em sua vida, que o ator lhe dizia quando cancelava um encontro porque tinha “compromissos prévios”. Frase com a qual se referia a outras amantes, como Michelle Phillips ou Joni Mitchell. A atriz suíça Ursula Andress ou a modelo Bianca Jagger também faziam parte da lista de romances com os quais Nicholson alternou sua relação com Huston. O ator, ganhador de três prêmios Oscar, também se relacionou com a modelo Apollonia Van Ravenstein, a quem ele se referia como “uma transa de favor”. A relação de Huston com Nicholson foi meio tormentosa. A atriz o descreve como alguém “tão generoso quanto desconsiderado”. Ele lhe deu de presente desde um Mercedes Benz (que ela bateu no dia seguinte) até o bracelete de pérolas e diamantes com o qual, em sua época, Frank Sinatra presenteara Ava Gardner. O presente foi acompanhado de uma nota que dizia “pérolas de seu porco”, assinada por “seu Jack Nicholson”. “Ele assinava assim, mas é a única coisa que ele nunca foi”, comentou a atriz à Entertainment Weekly, referindo-se à alergia do ator ao matrimônio.

Em 1975, Huston trocou Nicholson pelo astro do momento, Ryan O’Neal, a quem dedica palavras menos agradáveis. Especialmente quando recorda o dia em que ele a agarrou pelos cabelos e a golpeou na cabeça. “Ele me fez ver estrelas”, comenta ela sobre uma agressão que o protagonista de Love story – Uma história de amor repetiria. “Um homem que levanta a mão contra uma mulher merece que o desmascarem”, declarou a atriz ao programa Today.

“Um homem que levanta a mão contra uma mulher merece que o desmascarem”

Nicholson não só leu o livro, como lhe deu sua aprovação. Huston fala dele tanto com dor como com carinho, porque aceita que nunca deveria ter esperado dele algo que ele não poderia dar. “Eu poderia ter dito ‘até aqui chegamos’, mas nunca pude deixá-lo”, recorda. Daí que prefira conservar a conversa em que o ator lhe disse que o amor que ela sentia era como o livro de Gabriel García Márquez O amor nos tempos do cólera. “Um de meus livros favoritos, de meu autor favorito e sobre meu tema preferido, amor eterno sem esperança”, resume na biografia.

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