Luciana Genro, para seus 1,6 milhão de eleitores: não votem em Aécio

A candidata derrotada do PSOL diz que também não apoiará Dilma, mas deixa para o eleitorado tomar sua decisão no caso da petista para o segundo turno

Luciana Genro, no último domingo.
Luciana Genro, no último domingo.Donaldo Hadlich (Folhapress)

Luciana Genro, que concorreu à presidência pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), protagonizou fortes embates durante a campanha eleitoral com o candidato Aécio Neves, do PSDB. Em dois debates na TV, que reuniram os presidenciáveis, ela enfrentou diretamente o candidato tucano, com palavras duras. Por isso, não era de se estranhar que ela não viesse a apoiá-lo no segundo turno. Mas, chamou a atenção a firmeza com que colocou sua posição. “Recomendamos que os eleitores do PSOL não votem em Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais”, afirmou em nota nesta quarta-feira, frisando que “a criminalização das mobilizações populares e dos pobres empreendida pelos governos tucanos, em especial o de [Geraldo] Alckmin, nos coloca em oposição frontal ao projeto do PSDB”.

Ela também anunciou oficialmente que não vai apoiar Dilma Rousseff no segundo turno, mas neste caso, foi mais suave para colocar suas razões. “Se Dilma vencer o segundo turno, o PSOL seguirá como oposição de esquerda e lutando pelas bandeiras que sempre defendemos, inclusive durante a campanha eleitoral. A partir destas considerações, o PSOL orienta seus militantes a tomarem livremente sua decisão dentro dos marcos desta Resolução, conscientes do significado sobre o voto no segundo turno, dia 26 de outubro”, completou.

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Genro se destacou ao longo desta campanha ao assumir bandeiras consideradas polêmicas em meio a uma eleição pautada pela busca do eleitorado conservador, como a legalização do aborto e da maconha e a conquista do casamento civil igualitário. Enfrentou Neves e Rousseff e até virou meme na internet ao responder que à provocação do tucano de que ela era linha auxiliar do PT. “Linha auxiliar do PT uma ova”, reagiu ela, depois de desancar Neves dizendo que ele era ligado a empreiteiras como era o PT. No último debate antes das eleições, ela exigiu que o tucano abaixasse o dedo que estendia em direção a ela em meio a um embate acalorado. Ela também não teve medo de criticar os dois principais partidos, PT e PMDB, em relação ao envolvimento de ambos com corrupção.

A postura de Genro nas eleições conquistou a maior quantidade de votos do PSOL no país desde que o partido foi criado por dissidentes descontes com a postura do PT, em 2005, ano em que estourou o escândalo do mensalão. Genro obteve neste domingo 1,6 milhão de votos (1,55% do total) – quase o dobro do obtido por Plínio de Arruda Sampaio, que a antecedeu como candidato da legenda à presidência, em 2010 (886.816 votos).

A votação de Genro foi mais concentrada no eixo Rio-São Paulo. Ela obteve 3,33% (206.986) dos votos da capital paulista, onde se iniciaram com mais força os protestos contra a alta da tarifa de transporte, que depois se espalharam por todo o Brasil com uma pauta difusa e foram interpretados como um desejo de mudança. No Estado, ela teve 2,41% dos votos. No Rio, 2,72%, enquanto na capital ganhou 4,07%. No Rio Grande do Sul, seu Estado, a votação também foi acima da média, com 2,25%.

O resultado foi comemorado pela candidata, que disse na noite de domingo estar “feliz” com a quantidade de votos recebidos. Genro afirmou ainda que sua votação representa a parcela da população que não se conforma com a situação atual do país. “Isso mostra claramente que as pautas progressistas estão tomando a frente do debate político do Brasil”. De fato, ela teve mais votos do que Pastor Everaldo (0,75%) e Levy Fidelix (0,43%), que se destacou na reta final por declarações polêmicas contra a união homoafetiva.

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