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Brasil vota hoje para escolher quem perde

Eleição mais disputada desde o fim da ditadura militar mudou de rumo após a morte de Eduardo Campos Justiça eleitoral está preocupada com índice de abstenção, que bateu recorde em 2010

Dilma vota em colégio de Porto Alegre.
Dilma vota em colégio de Porto Alegre.PAULO WHITAKER (REUTERS)

Cerca de 142 milhões de eleitores brasileiros devem votar das 8h às 17h deste domingo na sétima eleição presidencial desde o fim da ditadura militar. Além do presidente da República e de seu vice, os cidadãos escolherão novos governadores (e seus suplentes), senadores, deputados federais, distritais e estaduais. Ao todo, serão eleitas 1.656 autoridades nas 27 unidades da federação.

O pleito deste ano foi marcado por uma certeza e uma incerteza: a atual presidenta estará no segundo turno, mas seu adversário ainda não foi definido. Ao contrário do que ocorreu em disputas anteriores, quando nacionalmente havia dois principais concorrentes, neste ano são três os nomes com chances de se eleger.

Eleita presidenta em 2010 quando derrotou José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) tinha como certeza que enfrentaria outro tucano neste ano, mas um acidente aéreo no dia 13 de agosto que matou o terceiro colocado nas sondagens, Eduardo Campos (PSB), mudou o rumo da disputa. Em princípio surgiu a onda Marina Silva (PSB), que substituiu Campos na disputa. Nas primeiras pesquisas ela já aparecia empatada tecnicamente com a petista no primeiro turno e com chances de vencer no segundo. Após ser severamente atacada por conta de seus retrocessos na apresentação do programa de governo e por sua falta de clareza nas proposições, ela despencou na pesquisa e deu chances para Aécio Neves (PSDB) voltar a ter esperança. O tucano cresceu nas pesquisas e ainda tem fôlego para repetir o confronto PT-PSDB que se repete no Brasil há exatos 20 anos.

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“O acidente mudou os rumos desta eleição, sem dúvida. Ela chegou em um momento em que nada estava decidido e, diante dos últimos números, acredito que tanto o Aécio quanto a Marina tem elevadas possibilidades de disputar com a Dilma”, afirmou o cientista político Pedro Arruda, da PUC-SP.

Mesmo com pouco mais de dois meses de campanha, as incertezas também chegam aos eleitores. Até a quinta-feira passada, cerca de 5% deles não sabiam em quem votariam e o mesmo percentual dizia que votaria branco ou nulo, conforme o instituto Datafolha. Ainda na noite de sexta-feira era comum encontrar eleitores na capital federal indecisos. “Eu queria votar contra a Dilma, mas não sei se voto em um candidato nanico que concordo com seu posicionamento, mas sei que ele não tem chances, ou se voto em algum dos que podem ir para o segundo turno e eu não concordo tanto. Se bobear, vou votar nulo”, afirmou o indeciso garçom Everaldo Rodrigo, de 24 anos.

Os jovens como Rodrigo poderão ser o motor da decisão, pois 39,4% dos eleitores brasileiros têm entre 16 e 34 anos de idade. Foram eles que organizaram os protestos de junho do ano passado e demonstraram uma insatisfação com a política e os partidos. Essa parcela da população foi chamada pelo presidente do TSE, José Antonio Dias Toffoli, de geração online, que quer ajudar a decidir os rumos do país, bem como ser mais ouvida pelos seus governantes.

Outro ponto que acendeu um sinal de alerta na Justiça Eleitoral é o índice de abstenção. Na disputa passada, em 2010, ela atingiu o recorde de 24 milhões de faltosos no primeiro turno e de 29 milhões no segundo turno. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, essa ausência custou cerca de 195 milhões de reais aos cofres públicos, já que os cartórios eleitorais se prepararam para receber a totalidade de seus eleitores. Como o voto no Brasil é um dever, não apenas um direito, todos têm de comparecer às urnas. Os que não o fizerem devem justificar a ausência ou pagar uma multa. A estimativa é que a disputa eleitoral custe cerca de 650 milhões de reais.

Ao mesmo tempo em que se preocupa com a distribuição das urnas e a estrutura que será utilizada nos dias da votação e da apuração, o TSE teve, mais uma vez, de avaliar a necessidade de enviar tropas federais para cidades onde há severos problemas de segurança. Neste ano, 256 municípios receberão reforço de segurança. É o maior número desde a disputa de 2002. Militares foram enviados para capitais, como São Luís (Maranhão), Florianópolis (Santa Catarina) e Manaus (Amazonas) até para cidades pequenas, como Olho D’água dos Borges (Sergipe), que tem 4.000 habitantes. O número de cidades com aumento de policiamento deve ser ainda maior, já que nem todos que enfrentam crises de segurança conseguiram a autorização do TSE para receber as tropas. O Rio de Janeiro, por exemplo, teve de usar seus próprios policiais para garantir a segurança na disputa.

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