Três detidos pelo atentado terrorista no Chile

Dois homens e uma mulher são suspeitos de colocar a bomba que deixou 14 feridos

Policiais vigiam a área onde uma bomba explodiu no dia 8.
Policiais vigiam a área onde uma bomba explodiu no dia 8.IVÁN ALVARADO / REUTERS

Dez dias depois da bomba que deixou 14 feridos em um centro comercial próximo a uma estação de metrô em Santiago do Chile, a polícia deteve na madrugada desta quinta-feira três pessoas suspeitas de instalar o artefato explosivo. Depois de uma reunião do Comitê de segurança no Palácio de La Moneda, onde participaram as principais autoridades de Carabineros e da Procuradoria, o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo, informou que se trata de dois homens e uma mulher. “Os organismos do Estado vão continuar trabalhando para que estas pessoas e grupos que atentaram contra chilenos inocentes sejam entregues à Justiça”, apontou o chefe de gabinete de Michelle Bachelet.

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Ainda não se conhecem os nomes dos detidos nem maiores detalhes da operação policial, mas foi divulgado que foram presos de madrugada no bairro de La Pintana, uma zona popular e humilde do sul de Santiago. O Promotor-Chefe desta região, Raúl Guzmán, informou que os suspeitos são parte de “uma célula bastante compacta e hermética”, enquanto que o Procurador Nacional, Sabas Chahuán, indicou que “é uma célula anarquista limitada que pode ter vínculos maiores” e que “podem ter relação com uma série de atentados”. Guzmán também apontou que foram realizados testes científicos para chegar aos suspeitos e foi adiantado que o Ministério Público pedirá as penas máximas.

Os detidos nesta madrugada em Santiago têm entre 20 e 26 anos, segundo foi divulgado, e se encontram em uma delegacia do bairro de Ñuñoa, na zona leste de Santiago. A Promotoria não descartou que possa haver novos envolvidos e, durante todo o dia, serão realizadas novas diligências. As medidas de segurança foram reforçadas nestas datas de comemorações, já que as autoridades temiam que os grupos antissistema atuariam no te deum, que se celebra no dia 18 de setembro, ou na tradicional parada militar de 19 de setembro, quando as Forças Armadas desfilam para a presidenta.

As detenções marcaram o dia em que o Chile comemora sua festa nacional - até o domingo o país praticamente vai se paralisar - com a presidenta e seus ministros participando nesta quinta-feira de diversas atividades protocolares tanto em La Moneda quanto na catedral de Santiago, que nesta ocasião está protegida com medidas mais fortes de segurança. Desde que aconteceu o atentado de 8 de setembro, são registrados diariamente cerca de sete avisos falsos de bombas.

Desde o atentado de 8 de setembro, são registrados diariamente cerca de sete avisos falsos de bombas

Os grupos antissistema, responsabilizados pelos atentados, instalaram cerca de 209 artefatos explosivos desde 2005, de acordo com a estatística oficial com que trabalha o Ministério Público. Destes, 29 foram colocados este ano.

No dia 13 de julho, uma bomba explodiu de noite em um vagão de metrô da estação Los Domínicos. Embora não tenha deixado feridos, foi um sinal importante para as autoridades: pela primeira vez os autores fizeram um atentado em um lugar público e em horário onde ainda poderia haver pessoas. Depois, dia 12 de agosto, instalaram uma bomba perto da primeira delegacia de Carabineros, no centro de Santiago, sem que se registrassem vítimas. Mas a explosão de 8 de setembro no Subcentro, uma galeria comercial a metros da estação Escuela Militar, ultrapassou todos os limites: explodiu em uma lata de lixo de metal às duas da tarde, em pleno horário de almoço e em uma zona muito transitada.

Por estes três fatos, o Governo invocou a Lei Antiterrorista, uma norma que está sendo estudada no Chile por ser considerada deficiente e obsoleta. Ao mesmo tempo, o Executivo anunciou um projeto de reforma na Agência Nacional de Inteligência (ANI), com o objetivo de dotá-la de maiores atribuições que permitam se antecipar e evitar os atentados. Neste contexto, foi aberto um intenso debate sobre a conveniência de ter agentes disfarçados que possam se infiltrar nos grupos antissistemas.

A principal dúvida que cruza estas detenções é se a Promotoria conta com uma quantidade de provas contundentes contra os suspeitos para que não se repita o que ocorreu em 2012, quando seis acusados pelo chamado caso bombas foram absolvidos pela Justiça por investigações ineficientes. Duas dessas pessoas, Francisco Solar e Mónica Caballero, depois viajaram para a Espanha e no dia 2 de outubro de 2013, realizaram um atentado a bomba contra a Basílica del Pilar de Zaragoza. O juiz do Tribunal Nacional, Eloy Velasco, processou os dois por terrorismo e apontou em sua sentença que os chilenos tinham evitado de um processo em seu país por erros nos procedimentos.

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