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Os bispos do Brasil provocam os presidenciáveis com temas polêmicos

No debate promovido pela CNBB, temas como a reforma política, a educação, as desigualdades e a corrupção foram centrais

Juan Arias
Rio de Janeiro -

Contrariamente ao que se tinha imaginado sobre o debate de ontem à noite com os oito candidatos à Presidência da República, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no santuário de Nossa Senhora de Aparecida, o encontro não foi fundamentalmente uma análise sobre as questões do aborto e da homofobia, dois assuntos que foram abordados apenas pelos jornalistas e não pelos bispos. Os religiosos também evitaram tocar nas crenças religiosas dos candidatos.

Pelo contrário, a Hierarquia católica questionou os candidatos sobre temas mais quentes, como a reforma política, a educação, as desigualdades sociais, a corrupção, as contas públicas, a questão da maioridade penal, a reforma tributária, direitos humanos, os jovens e a violência, e a questão indígena, entre tantos outros.

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Apesar de o formato do debate, com o sorteio das perguntas, ter impedido o enfrentamento dos três candidatos com maiores índices de intenção de voto – Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves -, a discussão teve momentos de forte tensão que levou dois dos candidatos a recorrer ao direito de resposta por se sentirem ofendidos. Foi o que fez Dilma contra Aécio e este contra a candidata do PSOL, Luciana Genro.

Quando Neves foi indagado pelo candidato Pastor Everaldo, do PSC, sobre o escândalo de corrupção na Petrobras e sobre o fato de Dilma ter afirmado não ter conhecimento do escândalo, o candidato do PSDB respondeu com dureza: "A candidata Dilma deveria pedir perdão ao povo brasileiro porque ela foi ministra de Minas e Energia". E acrescentou: "Não é possível que o Brasil continue sendo governado sem ética e sem decência". Para Neves, se Rousseff não soube administrar a Petrobras não pode continuar à frente do Brasil.

Concedida à presidenta candidata o direito de resposta por ter se sentido ofendida, ela afirmou: "Durante toda a minha vida, tive um compromisso contra a corrupção". Ela lembrou que o escândalo da Petrobras não era fácil de descobrir e que quem o revelou foi um órgão de seu Governo e a Polícia Federal. "Nós não escondemos os escândalos debaixo do tapete", disse.

O outro embate foi entre Aécio e a candidata Genro. A uma pergunta sobre educação, a candidata do PSOL preferiu responder aos ataques de Aécio e Dilma e lembrou ao candidato do PSDB que foi seu partido em Minas Gerais quem criou o primeiro "Mensalão", que depois "o PT copiou". E recordou ainda que foi o próprio Aécio quem construiu um aeroporto com dinheiro público em uma propriedade de sua família.

Pedido e concedido seu direito de resposta, Aécio se limitou a afirmar que a política também é isso: "Escutar impropérios de quem não tem propostas para apresentar".

Nas conclusões finais, Dilma afirmou: "Quem vai ganhar estas eleições é quem mudou o país, quem combateu a fome e a miséria, quem acabou com a inflação e com o desemprego". A candidata se disse orgulhosa de que a ONU tenha acabado de tirar o Brasil da lista dos países com miséria.

Para Marina, as eleições serão ganhas "pela nova política, pela coragem do povo brasileiro que quer a mudança".

Apesar de ter sido realizado em um lugar sagrado como a Basílica de Aparecida, este foi o primeiro debate presidencial em que houve enfrentamento entre seguranças da Presidência da República e jornalistas credenciados. Uma repórter da Folha de S.Paulo, Marina Dias, acabou com um braço ensanguentado depois de ser empurrada com força contra a parede por um dos seguranças.

Entre os vários temas abordados pelos bispos e pelos jornalistas católicos, um ficou estranhamente de fora: o da defesa do meio ambiente, precisamente quando a Igreja proclama a chamada "Teologia da Terra", um assunto que acabou sendo o patinho feio do debate.

Segundo alguns analistas, em conjunto, as perguntas pontuais e concretas dos bispos foram melhores do que a maioria das respostas dos candidatos.

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