CRISE NA UCRÂNIA

O cessar-fogo continua na Ucrânia, apesar da troca de tiros

Ambos os lados denunciam provocações, mas não houve mortos nas últimas 24 horas

Um tanque destruído na periferia de Maiupol.
Um tanque destruído na periferia de Maiupol.ANATOLII BOIKO / AFP

O primeiro dia do cessar-fogo acordado nesta sexta-feira em Minsk entre o governo ucraniano e os separatistas transcorre sem grandes incidentes, apesar de ambos os lados do conflito dizerem que houve disparos contra suas forças. Moscou advertiu que responderá com contramedidas se a União Europeia adotar novas sanções na segunda-feira. O presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo ucraniano, Petro Poroshenko, falaram em trabalhar pela estabilidade do cessar-fogo e facilitar a chegada de ajuda humanitária às áreas afetadas.

As tropas de Kiev bombardearam, na manhã de sábado, posições rebeldes nos arredores de Amvrosievka, dizem os separatistas. Ainda segundo eles, durante a noite de sexta-feira, também houve violações do regime de cessar-fogo, em particular contra as milícias estacionadas em Gorlova e Makeievka. Andrei Lysenko, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, afirmou em Kiev que os rebeldes fizeram uma série de “provocações” ao romper em 10 ocasiões a cessação das hostilidades, mas reconheceu que a situação na frente de combate é, de modo geral, relativamente “tranquila”.

O simples fato de que nas últimas 24 horas não houve vítimas fatais fala por si. Os dias anteriores à trégua pactuada em Minsk com a participação da Rússia e da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) como mediadora das forças governamentais ucranianas tinham registrado grandes perdas causadas pela bem-sucedida ofensiva dos rebeldes e pelo cerco em que estavam alguns de seus soldados.

O importante agora é que o cessar-fogo se torne uma realidade permanente e que Kiev possa selar um compromisso com os separatistas. Questionado sobre as perspectivas de uma paz duradoura e a possibilidade de uma nova escalada da tensão no leste da Ucrânia, o presidente Poroshenko respondeu: A guerra vai continuar, “se as tropas russas continuarem em nosso território”. Poroshenko fez essas declarações na sexta-feira em uma entrevista à BBC, aparentemente horas antes da assinatura do protocolo de paz. Na mesma entrevista, admitiu que o problema de uma trégua duradoura “é um dos mais complexos”.

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“Mas estou convencido de que a Ucrânia como Estado e eu como seu líder faremos todo o possível para que a paz reine em nosso país”, disse Poroshenko, que mais tarde afirmou à imprensa em Cardiff estar disposto a descentralizar o poder na Ucrânia, dar certa independência econômica às regiões de Donetsk e Lugansk, garantir que possam usar qualquer idioma, neste caso, o russo, e proteger suas tradições culturais, mas tudo isso dentro de uma Ucrânia que tenha sua integridade territorial respeitada. Ainda em Gales, Poroshenko apresentou seu próprio plano de paz, de 14 pontos, o dobro do que continha o programa do presidente russo, Vladimir Putin.

O protocolo assinado em Minsk tem, enfim, 12 pontos, que, até agora, não foram detalhados. Os mais importantes são, além do cessar-fogo, a retirada da artilharia de perto das cidades, a troca de prisioneiros e a abertura de corredores humanitários para que a população possa abandonar suas cidades ou voltar a elas.

A troca de prisioneiros, todos por todos, começará em breve, disse Poroshenko. Kiev já entregou às autoridades de Donetsk e Lugansk a lista de combatentes ucranianos desaparecidos ou que estão nas mãos dos rebeldes. Estima-se que os separatistas tenham mil soldados ucranianos. O número de rebeldes nas mãos de Kiev seria muito menor.

Enquanto isso, Moscou já avisou que vai reagir com contramedidas se Bruxelas decidir adotar, na segunda-feira, um novo pacote de sanções contra a Rússia. O Kremlin interpretou a aprovação de novas medidas punitivas como um apoio da União Europeia ao “partido da guerra em Kiev, que não apoia os resultados da reunião em Minsk” na qual foi assinado o protocolo que inclui como principal acordo a cessação das hostilidades no leste da Ucrânia. De acordo diversas informações que apareceram na imprensa local, entre as contramedidas que a Rússia estudou, estariam a proibição dos voos de trânsito para a Ásia e sérias limitações à importação de carros.

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