Ofensiva Jihadista

Os Estados Unidos lançam um ataque contra os jihadistas no Iraque

Um avião militar atacou a artilharia do Estado Islâmico em Erbil, região sob domínio dos jihadistas, conforme um porta-voz do Pentágono

Um avião decola do porta-aviões americano George H. W. Bush, aportado no Golfo Pérsico.
Um avião decola do porta-aviões americano George H. W. Bush, aportado no Golfo Pérsico.Joshua Card (AFP)

Os Estados Unidos deram início nesta sexta-feira a ataques limitados no Iraque, autorizados na quinta-feira pelo presidente Barack Obama, para proteger interesses norte-americanos ameaçados pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

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A Força Aérea dos EUA realizou três turnos de ataques durante a manhã desta sexta-feira, segundo informou o Pentágono. Às 10h45 (7h45 em Brasília) dois aviões de combate F/A-18 lançaram bombas de 226 quilos guiadas por laser contra uma "peça de artilharia móvel" do EI nos arredores de Erbil "próximo de onde se encontrava membros da equipe norte-americana".

Às 14h (11h em Brasília) aviões não tripulados (drones) efetuaram mais dois ataques próximo de Erbil para “ajudar a defender a cidade” e acabar com uma posição de morteiro do EI. “Quando os milicianos do EI voltaram ao local minutos depois, os terroristas foram atacados de novo e eliminados com êxito”, detalhou o Departamento de Defesa em um comunicado.

Finalmente, às 15h20 (12h20 em Brasília) quatro caças F/A-18 lançaram oito bombas contra um trem de sete veículos e uma posição de morteiro dos militantes jihadistas, que foram “neutralizados”.

A equipe diplomática e militar norte-americana no Iraque está concentrada em Bagdá e em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, no norte do país. A Casa Branca disse na quinta-feira que os ataques aéreos foram solicitados pelo Governo iraquiano, e nesta sexta-feira sublinhou que não há fixado um prazo concreto de finalização das operações mas enfatizou que "um conflito militar prolongado não está em discussão".

O presidente anunciou na noite da quinta-feira duas decisões sobre o Iraque: o lançamento de aviões militares de ajuda humanitária para membros da minoria yazidí sitiados pelos jihadistas e ataques aéreos para proteger a equipe norte-americana neste país e impedir um genocídio das minorias religiosas perseguidas pelos jihadistas do Estado Islâmico. Consciente da oposição norte-americana a uma nova intervenção no Iraque, Obama no entanto prometeu que não serão enviadas tropas para combater em terra.

O Pentágono disse que seguiria bombardeando posições dos jihadistas se eles "ameaçarem" pessoal e instalações norte-americanas

O vice-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, disse nesta sexta-feira à corrente MSNBC que os EUA “confiam” que a combinação da força aérea norte-americana com a atuação sobre terra dos peshmergas, as milícias curdas, bastará para conter o avanço dos jihadistas em Erbil. “Achamos que poderão voltar a [controlar] essa luta”, sublinhou.

O objetivo dos ataques, assinalou, é proteger o “perímetro” de Erbil, onde os EUA estabeleceram em meados de junho um centro de operações militar. Há um outro em Bagdá.

O assessor de Obama advertiu de que os jihadistas sunitas do Estado Islâmico obtiveram armamento pesado nas últimas semanas e que por isso Washington está proporcionando “armamento adicional” às milícias curdas que lutam contra EI.

Os caças decolaram a partir do porta-aviões George H.W. Bush, que se encontra em águas do golfo Pérsico desde meados de junho, quando o Pentágono decidiu, diante da crescente instabilidade no Iraque, passar do norte do mar da Arábia à essa posição. A partir desse porta-aviões decolaram boa parte dos aviões que realizaram voos de vigilância sobre o Iraque nas últimas semanas.

O presidente iniciou nesta sexta-feira a ronda de consultas com os aliados dos EUA na região com um telefonema ao rei Abdalá II da Jordânia. Ambos discutiram “a urgência de proporcionar ajuda humanitária aos iraquianos e os riscos que supõem para a região o EI e outros grupos extremistas”, bem como “a importância de apoiar um processo político includente no Iraque”, disse a Casa Branca.

O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, minimizou a possibilidade de que os jihadistas sunitas consigam se esconder entre grupos de civis. "Está muito claro quem são eles", assegurou Hagel. Segundo o chefe do Pentágono, se as tropas do EI se deslocam para Erbil, Bagdá ou o Monte Sinjar -onde há refugiados milhares de yazidíes que fugiram de suas residências ante o avanço jihadista- “seria bastante identificável [localizar] onde seriam efetivos nossos ataques aéreos”.

Obama também aprovou na quinta-feira o lançamento de aviões militares de ajuda humanitária para membros da minoria yazidí sitiados pelos jihadistas. Os primeiros lançamentos ocorreram na quinta-feira sem incidências e incluíram três aviões de transporte —um C-17 e dois C-130— escoltados por dois caças F/A-18, segundo um comunicado do Pentágono. Lançaram 72 pacotes com água potável e pacotes de comida.

Por outro lado, a Administração Federal de Aviação emitiu nesta sexta-feira uma notificação que restringe às linhas aéreas norte-americanas sobrevoar no espaço aéreo iraquiano dada a "perigosa situação criada pelo conflito armado".

Em meados de junho Obama anunciou o envio de 300 assessores militares ao Iraque para ajudar as forças de segurança iraquianas a conter o rápido avanço jihadista. Desde então Washington aumentou gradualmente sua presença militar, com assessores e soldados de proteção, circulando por volta de um milhar. E em paralelo, efetuou dezenas de voos diários de vigilância e proteção de sua embaixada em Bagdá.

No início de julho, em um matiz revelador, o chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, Martin Dempsey, profetizou que o Exército iraquiano está capacitado para defender Bagdá mas “provavelmente não” para recuperar por si mesmo as partes do país sob o controle do EI. No entanto, insistiu então em que a solução à crise iraquiana “não é exclusivamente militar” e que só se resolverá eficazmente se o Governo do xiita Al Maliki impulsionar um processo de inclusão nacional.

Os EUA abandonaram o Iraque em 2011, depois de oito anos de missão bélica destinada a derrotar o ditador Sadam Hussein. Obama tinha tentado deixar um contingente de cerca de 5.000 soldados no país depois do final do conflito, mas um desencontro diplomático com o Governo de Nuri al Maliki, que se negou a oferecer imunidade aos militares norte-americanos, o impediu.