eleições 2014

Campos defende uma reforma tributária e Neves, a redução de juros

Em encontro com empresários, os adversários de Dilma Rousseff atacam a política econômica atual e se mostram como alternativa

Eduardo Campos, nesta quarta-feira em Brasília.
Eduardo Campos, nesta quarta-feira em Brasília. José P. Lacerda

Enfrentar a desconfiança do mercado se tornou o principal desafio do Brasil, segundo o presidenciável Eduardo Campos, que participou nesta quarta-feira do encontro com empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Campos, Aécio Neves e a presidenta Dilma Rousseff participaram do evento Diálogos com a Indústria. O ex-governador de Pernambuco foi o primeiro falar. Em sua exposição, defendeu a revisão dos fundamentos da política macroeconômica. “Quando um socialista defende o Banco Central independente é porque o Brasil precisa deste crédito”, disse o candidato do PSB, o primeiro a expor suas propostas durante o evento. Aplaudido por quatro vezes diante da plateia de empresários, Campos defendeu também a criação de um Conselho Nacional de Responsabilidade Fiscal, apontando um descontrole nos gastos públicos e insinuando que a equipe econômica de Dilma Rousseff maquia as contas públicas. “Com a manutenção desta política (econômica) que está aí, vamos desconstruir o que foi feito em 30 anos”.

Para ele, a economia do país está patinando, “tem inflação alta, juros no teto” e um crescimento pífio.

Em diferentes questões debatidas, Campos alvejou os seus dois principais rivais na corrida ao Planalto. Uma amostra que o acordo informal de não agressão com Aécio Neves do PSDB chegou ao fim. “Não venha o sujo falar do mal lavado”, fustigou o socialista, por exemplo, ao abordar a necessidade de uma reforma tributária. “Porque todos (o PT e o PSDB) aumentaram a carga tributária”. O ex-governador de Pernambuco prometeu, além de não elevar os impostos, em um futuro governo, enviar um modelo de reforma fiscal ao Congresso Nacional na primeira semana à frente do comando do país. A atual carga tributária de 37% está acabando com a competitividade brasileira, diz, e afeta todos os setores estratégicos da economia nacional.

Aécio Neves, nesta quarta-feira em Brasília.
Aécio Neves, nesta quarta-feira em Brasília. Eugênio Novaes

Ex-ministro do governo Lula, Campos defendeu uma nova forma de fazer política. “O Brasil não aguenta mais quatro anos acompanhado de (José) Sarney, (Fernando) Collor e Renan (Calheiros)”, apontou, afirmando “que o país não deve permanecer de joelhos às chantagens política”. Para o socialista, somente ele e sua vice Marina Silva podem corrigir “o patrimonialismo de coalizão”, já que as “circunstâncias que cercam Rousseff e Neves são de conservar esta velha política. ” A fisiologia atual, denuncia, traz o aumento da burocracia estatal, com a criação, por exemplo, de 39 ministérios, e desmantela as estatais e as agências reguladoras, que, diz, tem os seus diretores nomeados por indicações políticas para acomodar os interesses partidários da base de apoio ao Governo Federal.

Ao falar aos empresários, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) rebateu Campos. ‘Eu sou cético quanto aos monopolistas da ética e das mudanças na política e na economia”, declarou. O senador, no entanto, manteve a sua estratégia de centrar os ataques na presidenta Dilma Rousseff. “Eu não me vejo como um adversário de Campos e, sim, contrário ao governo que está aí”, disse. Para o tucano, a credibilidade do país com o mercado só voltará com um novo governo. Ao declarar que irá ajustar o câmbio para “ele ser realmente flutuante” e prometer reduzir os juros, o candidato do PSDB mostrou confiar que a sua própria eleição já mudará o humor dos investidores. Ele crê que, resolvendo a “insegurança jurídica” e estabelecendo regras claras, pode atrair mais capital para investimentos de infraestrutura. Promete, por exemplo, faze os investimentos saltarem de 18% para 24% do PIB até o fim de uma eventual gestão sua.

Neves defende uma mudança na diplomacia brasileira com foco no crescimento econômico do País. “No mundo inteiro, a política externa é usada para fazer negócios. Hoje, o Brasil vai na contramão”, opina. “O Brasil optou por um alinhamento ideológico enquanto o mundo avança em acordos bilaterais, complementa. O presidenciável do PSDB defende que o país celebre acordos de livre comércio com grandes economias, como China, Estados Unidos e principalmente a União Europeia. A postergação do Governo Dilma em firmar um acordo do Brasil com os países europeus, analisa, é irresponsável. A cada dia que passa, considera o senador, a União Europeia firma acordos com outras nações que acabam por assumir uma fatia do mercado que o Brasil poderia suprir. Além disto, para o tucano, “a economia brasileira é, sim, fechada” e perde a oportunidade de ampliar a sua produtividade competindo com outro país. ”

O presidenciável do PSDB também atacou a forma como a gestão Dilma intervém nas estatais. Criticou a política de preços adotada na Petrobras ao dizer que o Brasil está na contramão do mundo “ao financiar combustíveis fósseis”. “A Petrobras é a única empresa do mundo que quanto mais combustível vende, mais prejuízo tem. ” Para Aécio, a revisão de contratos seguida de diminuição das tarifas na área de energia também foi danosa aos cofres públicos. Para ele, os preços represados terão de ser revistos. Não à toa, Aécio chegou a declarar que governará “sem o nefasto intervencionismo que é a marca do atual governo.”

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