A Copa politizada

Os governistas lamentam a goleada, enquanto os oposicionistas passam a criticar a organização do torneio e pedem que a mudança extrapole as quatro linhas

Torcedores na goleada da Alemanha sobre o Brasil, no Mineirão.
Torcedores na goleada da Alemanha sobre o Brasil, no Mineirão.Laurence Griffiths (Getty Images)

A inevitável politização da Copa do Mundo aconteceu nesta semana impulsionada, principalmente, pela humilhante derrota brasileira para a Alemanha na semifinal do torneio (1x7). Enquanto os governistas clamam para a seleção dar a “volta por cima” (ao som da canção de Paulo Vanzolini), alguns oposicionistas aproveitam o momento para criticar a gestão Dilma Rousseff.

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A artilharia da oposição é puxada pelo ex-jogador e deputado federal Romário (PSB). Em um longo e ácido texto publicado em seu Facebook, o principal atacante do tetracampeonato volta a xingar a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e diz estar revoltado com o Mundial.

“Quem tem boa memória vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada! Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente”, diz Romário, que será candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.

E o “baixinho” completa atacando a presidenta: “Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz”.

A fervorosa oposição foi completada pela ex-deputada federal Luciana Genro, atual candidata do PSOL à presidência, e pelo senador Álvaro Dias (PSDB). Em seu Twitter, Genro mandou a FIFA voltar para casa, enquanto Dias, afirmou no seu Facebook que “na Copa das Copas [termo usado pela presidenta], tivemos a vergonha das vergonhas”. Acrescentou o senador: “Dilma adotou providências que alimentaram expectativa de ser sócia de eventual vitória da seleção. Agora teme sofrer desgaste com a goleada”.

Os dois principais adversários de Rousseff nas urnas, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB), tiveram posturas diferentes ao comentar o humilhante resultado.

Campos afirmou que na terça-feira  “o Brasil é todo superação. Dificuldades a gente supera com coragem, raça e disposição”. Já Neves começou o discurso no mesmo tom, mas depois mudou. Na terça-feira disse no seu Facebook: “Dessa vez não deu, mas vamos em frente! Outras vitórias virão!”. Na quarta, no Twitter de sua campanha subiu o tom: “Derrota vexatória. Está na hora de repensar não só a Seleção brasileira como o Brasil”.

Retranca

A defesa da seleção foi feita principalmente por petistas. Rousseff recorreu ao “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, do músico Vanzolini. “Assim como todos os brasileiros, estou muito, muito triste com a derrota”, disse a presidenta em seu Twitter. Já os seus correligionários Alexandre Padilha e Tarso Genro, candidatos aos governos de São Paulo e Rio Grande do Sul, disseram que os atletas ainda precisarão de apoio porque no sábado disputarão o terceiro lugar. Padilha foi um dos poucos que defenderam a estrutura criada no país para o Mundial.

“Brasil e os brasileiros estão de parabéns. Garantimos a estrutura, a hospitalidade, saímos um país mais forte para nossos desafios. Faltou futebol”, afirmou o ex-ministro da Saúde.

Um dos poucos oposicionistas que não criticou tanto a seleção foi o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). “O momento agora é de levantar a cabeça e seguir em frente”, afirmou. A campanha eleitoral, de fato, chegou aos gramados.

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