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Copa do Mundo 2014
COPA DO MUNDO 2014 | BRASIL 1 x 7 ALEMANHA

O Brasil é massacrado no Mineirão

A seleção sofre a sua pior goleada na história diante da Alemanha e dá adeus ao sonho do hexacampeonato mundial em casa da forma mais humilhante

Fred observa a substituição de Klose.
Fred observa a substituição de Klose. REUTERS

Uma tragédia quase impossível de acreditar, das mais dolorosas e que calam fundo no sentimento de todo um país. Poucas expressões definiriam tão bem o que o Brasil viveu na tarde desta terça-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte. Em menos de 20 minutos, e ainda no primeiro tempo, a seleção assistiu impassível à construção da maior goleada sofrida ao longo de sua história em Copas do Mundo. Os 7 x 1 finais da Alemanha certamente nunca serão esquecidos por gerações inteiras de brasileiros, que viram enterrado o sonho do hexacampeonato em casa da forma mais humilhante.

Antes do rolo compressor alemão, a seleção brasileira havia assustado o goleiro Neuer apenas uma vez, em um chute rasteiro de fora da área do lateral-esquerdo Marcelo. O início promissor, motivado pelo apoio da torcida que queria compensar a todo custo as ausências de Neymar e Thiago Silva, logo revelou-se, no entanto, o último suspiro de uma equipe perdida em campo, que deixou os seguidos espaços nas laterais e que, enfim, acabou severamente punida por isso.

Em uma falha grosseira na marcação, Müller apareceu sozinho no meio da área para definir logo aos 10 min, após cobrança de escanteio pela direita. Era apenas o começo da humilhação em pleno Mineirão. Ante um impassível Luiz Felipe Scolari no banco, o que se viu a seguir foram 20 minutos de terror em campo, nos quais erros de passe, espaços vazios e uma autêntica blitze alemã no ataque fizeram o torcedor chorar, senão de raiva, de vergonha.

O segundo jato –um balde seria muito pouco– de água fria veio aos 23 min, com Klose, que começaria a superar Ronaldo na artilharia de todos os Mundiais, agora com 16 gols contra 15 do brasileiro. O alemão teve tempo para definir e ainda aproveitar o rebote de Julio César. Mas nem deu tempo para sentir o impacto: dois minutos depois, Kroos aumentou, em um chute forte no canto direito. E, aos 26 min, o mesmo Kroos ampliava o placar, livre na área.

BRASIL 1 x 7 ALEMANHA

Brasil: Julio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, 1 min. do segundo tempo) e Oscar; Bernard, Hulk (Ramires, 1 min. do segundo tempo) e Fred (Willian, 24 min. do segundo tempo).

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker, 1 min. do segundo tempo) e Höwedes; Khedira (Draxler, 31 min. do segundo tempo), Schweinsteiger, Kroos, Özil e Müller; Klose (Schürrle, 12 min. do segundo tempo).

Gols: 1 x 0, 10 min. do primeiro tempo, Müller; 2 x 0, 23 min. do primeiro tempo, Klose; 3 x 0, 25 min. do primeiro tempo, Kroos; 4 x 0, 26 min. do primeiro tempo, Kroos; 5 x 0, 29 min. do primeiro tempo, Khedira; 6 x 0, 23 min. do segundo tempo, Schürlle; 7 x 0, 33 min. do segundo tempo, Schürle; 7 x 1, 45 min. do segundo tempo, Oscar.

Árbitro: Marco Rodríguez (MEX). Mostrou cartão amarelo para Dante (BRA).

Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Quando muitos já ameaçavam deixar o Mineirão, veio o quinto: Khedira roubou a bola, tabelou com Özil e bateu no canto direito do goleiro brasileiro. Sem reação, a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari tentava sair ao ataque ou mesmo interromper o sofrimento, mas não conseguia. Os seguidos passes errados revelavam o seu nervosismo e a sua incredulidade também dentro de campo, sem contar em todos os milhões de agora sofredores em todo o país.

O irônico é que o Brasil ainda encerrou o primeiro tempo com mais posse de bola do que os rivais, e à espera de uma alteração mágica que pudesse criar alguma esperança, o que obviamente não aconteceu, ainda mais com a falta de opções decisivas no banco, além das ausências de Neymar e Thiago Silva.

No segundo tempo, as seguidas alterações pouco mudaram o ritmo da partida. A Alemanha seguia firme, compacta, ameaçando colocar o Brasil correndo atrás da bola em seguidos toques e arrancadas em velocidade. O Brasil seguia perdido no gol, na defesa, no meio e na frente, e já mesmo sem o vaiado atacante Fred em campo. Do outro lado, ironicamente, Klose saiu muito aplaudido pela sua atuação irretocável.

O apagão do lado brasileiro continuou, e com mais dois gols alemães, de Schürlle, que, como a sua equipe, passeou em campo como se não houvesse adversário. O primeiro deles na pequena área, após passe de Lahm, aos 23 min, e o segundo, aos 33 min, de esquerda, após a bola bater no travessão, diante dos olhares de incredulidade de uma torcida cansada do sofrimento.

Começou então o “olé” na arquibancada a cada passe da Alemanha, revelando o quanto a humilhação calava fundo, a ponto de celebrar o acerto do adversário e o quanto a seleção da casa se via rendida, frágil, imóvel. A torcida pelo fim do jogo não foi menor, para evitar uma goleada que pudesse aumentar ainda mais, enterrando o sentimento de uma equipe que parecia acompanhar esse ritmo entre as quatro linhas.

A imensa dor até o fim tornou-se inevitável, e longe de ser dissipada com um "gol de honra" de Oscar, logo antes de o país sucumbir ao silêncio e ao choro, aos 45 min.