Terapia contra o fantasma de Neymar

A psicóloga Regina Brandão voltou para ajudar a seleção a lidar com a ausência de sua estrela

Scolari e a psicóloga Regina Brandão, em abril.
Scolari e a psicóloga Regina Brandão, em abril.NELSON ALMEIDA / AFP

Regina Brandão, a psicóloga de cabeceira de Luiz Felipe Scolari, voltou neste domingo para Teresópolis para ajudar a seleção a lidar com a ausência de sua estrela, Neymar Jr., e elevar a moral de uma equipe "abalada", como admitiram os médicos e a comissão técnica. Rodeados por centenas de torcedores que aproveitaram um domingo esplêndido para irem à serra do Rio de Janeiro, os 22 jogadores disponíveis treinaram na Granja Comary e se encontraram em seguida com Brandão, na última hora da tarde. Foi a terceira sessão com a especialista em psicologia esportiva, que elaborou um perfil confidencial de todos os jogadores. O espírito do grupo está ainda mais baixo por causa da notícia da morte do avô de Marcelo, seu mentor no mundo do futebol.

A principal preocupação do técnico brasileiro não é procurar um jogador para fazer o papel de Amarildo (o atacante que substituiu o machucado Pelé em 1962 e ajudou o Brasil a ganhar a Copa do Mundo), mas a digestão do corte de Neymar. Muitos jogadores choraram na sexta-feira e no sábado. Um deles chegou a dizer ao médico da seleção que parecia que haviam perdido para a Colômbia: não houve comemorações por terem conseguido retornar às semifinais de uma Copa depois de 12 anos. A tragédia pessoal da estrela brasileira comoveu os torcedores, e Scolari começou o "trabalho de conscientização" dos jogadores, como afirmou em uma entrevista à TV Globo.

"Quando aconteceu a lesão, Marcelo estava ajoelhado ao lado de Neymar e perguntou o que ele estava sentindo: 'Não sinto as minhas pernas', afirmou. Assustado, chamou o médico, que não tinha permissão para entrar em campo", contou 'Felipão'. "Os jogadores ficaram abatidos, tristes. Aquilo os abalou bastante. A imagem de Neymar em uma maca sendo transportado para o avião, as dificuldades, o choro... [...]. Mas em toda tragédia surge uma oportunidade de fazer algo diferente. É isso que vamos fazer", prometeu o técnico.

O congestionamento para chegar à concentração brasileira, causado pelos controles policiais e o barulho dos torcedores, contrastava com o ambiente apagado que era perceptível no interior das instalações. Nos escritórios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a outra grande preocupação é a Comissão Disciplinar da FIFA. O seu diretor de comunicação Rodrigo Paiva acordou com a sanção de três partidas por ter agredido o jogador chileno Pinilla no Estádio Mineirão. Scolari o defende veementemente, assim como contesta o cartão amarelo que o árbitro espanhol Carlos Vellasco deu ao capitão Thiago Silva e pediu que a CBF recorra, à espera da anulação que permitiria ao zagueiro do Paris Saint-Germain enfrentar a Alemanha.

Os jogadores contaram que Neymar, embora com lágrimas nos olhos, estava animado no voo que o levou ao Rio de Janeiro depois da vitória sobre a Colômbia. Além da sua terapeuta predileta, Scolari tem outras cartas na manga: a presença do próprio Neymar em Belo Horizonte na manhã de terça-feira. "Nosso camisa 10 estará conosco, seja no banco de reservas ou nas arquibancadas. É o que pedimos. Depende do seu estado, mas tenho certeza que ele virá", apostou o treinador. Tudo depende do raciocínio que Thiago Silva realizou na própria sexta-feira: "Isso pode unir ainda mais o grupo e nos fazer dar a vida pela vitória na próxima partida".

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