O PSDB lança a candidatura de Aécio Neves criticando a economia

Maior oposição ao Governo Rousseff, o partido tenta vincular seu candidato a políticos tradicionais como o avô dele Tancredo Neves e o ex-presidente Juscelino Kubitschek

Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB.
Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB.Bosco Martin / EFE

Maior partido de oposição ao Governo Dilma Rousseff, o PSDB lançou oficialmente seu candidato à sucessão presidencial usando dois mantras que deverão ser seus guias no início da campanha eleitoral: as críticas ao desempenho da economia e a tradição por trás do nome Aécio Neves, que é neto de Tancredo Neves, o primeiro presidente brasileiro após a ditadura militar (1964-1985).

Segundo colocado nas pesquisas, Aécio tem como desafio ganhar terreno no nordeste, onde os petistas ainda são mais fortes, com 48% das intenções de votos contra 10% de Aécio e 11% de Eduardo Campos (PSB). A escolha de São Paulo como palco para o lançamento oficial de sua candidatura não foi ao acaso. O mais populoso Estado do país é governado pelo PSDB há quase 20 anos. Está na região Sudeste, única em que Aécio empata nas intenções de voto com Rousseff (26% para ela e 25% para ele) na última pesquisa Datafolha.

Talvez para conseguir ganhar o terreno seja necessário não só investir em publicidade, já que terá pouco mais de 4 minutos na propaganda eleitoral de rádio e TV, enquanto Rousseff terá mais de 10 minutos. A estratégia seria traduzir o economês para a linguagem popular.

Está na hora de conduzir o Brasil ao caminho da decência, da dignidade, do trabalho e da eficiência Aécio Neves

Ex-governador de Minas Gerais por duas gestões, senador por esse Estado, Aécio prometeu, na convenção do partido neste sábado, fazer o país voltar a crescer, disse ser a mudança segura para o Brasil e que os 12 anos de governos petistas estão esgotando o “legado bendito” deixado pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Tanto os fiadores de sua campanha, FHC e o governador paulista Geraldo Alckmin, quanto um possível inimigo interno, o ex-governador José Serra, ressaltaram a tradição política de Aécio, que apareceu em vídeos ao lado de seu avô em 1984 durante comícios eleitorais.

No evento, também estava Maristela Kubitschek, filha de Juscelino Kubitschek, o JK, que presidiu o país entre 1956 e 1961. Aécio também quis se vincular a ele. “Se coube a Juscelino Kubitschek, há 60 anos atrás [sic], permitir o reencontro do Brasil com o desenvolvimento e a modernidade, coube a Tancredo, 30 anos depois, permitir que o Brasil se reencontrasse com a democracia e com a liberdade. Outros 30 anos se passaram e está na hora de conduzir o Brasil ao caminho da decência, da dignidade, do trabalho e da eficiência”, discursou o candidato.

Os tucanos que discursaram na convenção do partido destacaram que Aécio não é centralizador, pois costuma se cercar de assessores, a quem delega algumas funções. Isso ficou provado no discurso de pouco mais de 25 minutos. Na maior parte do tempo, Aécio leu as folhas que estavam sobre o púlpito, ao invés de falar diretamente ao público como fez a maior parte dos oradores. Apenas nos cinco minutos finais, ele segurou o microfone, caminhou pelo palco e demonstrou que essa parte da fala estava bem decorada. Nada espontâneo.

Além de Cardoso, Alckmin e Serra, o senador Aloysio Nunes Ferreira e os governadores Tetônio Vilela (Alagoas) e Beto Richa (Paraná) reclamaram da volta da inflação (de 6,08% até maio), do baixo crescimento do país (aumento do PIB em 0,2%) e reforçaram as denúncias de corrupção que tocam no petismo, como o caso mensalão, na gestão Lula, e a compra de uma refinaria pela estatal Petrobras nos Estados Unidos. “Onde havia esperança, hoje há decepção. Infelizmente a presidente Dilma não soube aproveitar o apoio popular que ela teve. Esse governo é que nem bananeira que já deu cacho, tem de ser cortado”, afirmou Ferreira.

Onde havia esperança, hoje há decepção. Infelizmente a presidente Dilma não soube aproveitar o apoio popular que ela teve

As falas mais duras, porém, não foram dos tucanos, sim de um aliado, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. Presidente do recém-criado partido Solidariedade, Silva disse que a presidenta Rousseff merece ser hostilizada como foi na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, quando, ao aparecer n o telão o público mandou ela tomar no cu. “Estamos acostumados a ver presidentes ruins serem vaiados. Ela [Rousseff] é esculhambada. O povo manda ela para aquele lugar que ela merece. Isso porque ela vai pra TV e faz um pronunciamento mentiroso”, disparou.

Ao contrário de disputas anteriores, dessa vez, os tucanos não discutiram quem seria o candidato. Aécio era a única opção, após três derrotas consecutivas para o PT. Ainda assim, ele não foi unanimidade entre os simpatizantes. Dos 451 delegados que votaram na convenção nacional deste sábado, 447 foram favoráveis a candidatura dele, outros três votaram em branco e um anulou o voto.

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