A três dias do início da Copa, São Paulo continua sem metrô

Os metroviários seguem em greve, apesar de uma decisão judicial decretar que ela é ilegal Pode haver uma paralisação geral, se houver o apoio de outras classes trabalhistas

Metroviários de São Paulo votam pela continuidade da greve durante assembleia do sindicato.
Metroviários de São Paulo votam pela continuidade da greve durante assembleia do sindicato.STRINGERS/BRAZIL / REUTERS

Depois de uma nova assembleia realizada neste domingo, o sindicato dos metroviários de São Paulo decidiu continuar com a paralisação do metrô, que afeta cerca de quatro milhões de paulistanos e põe em risco a mobilidade da cidade a três dias do início da Copa do Mundo. Na última sexta-feira, quando a greve ­– que gira ao redor de uma discussão salarial – começou, a cidade registrou um trânsito monumental de 239 quilômetros nas áreas centrais da cidade. São Paulo quase parou.

Os trabalhadores decidiram prosseguir apesar da sentença unânime do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), reunido em sessão extraordinária também neste domingo, de que a paralisação é ilegal – e de aumentar a multa por descumprimento dos serviços mínimos de 100 para 500 mil reais diários a partir de hoje. Neste momento, as principais linhas do metrô de São Paulo – 1-azul, 2-vermelha e 3-verde – continuam operando parcialmente. Por conta de obras, a linha 4-amarela, ficou inoperante neste domingo no trecho entre as estações Paulista e Faria Lima, enquanto a linha 5-lilás funciona com normalidade.

Durante a assembleia, quatro líderes sindicais falaram a favor da greve e outros quatro defenderam o fim da paralisação. O voto final foi considerado por contraste de mãos levantadas após uma votação entre os presentes. Os que consideram a greve um perigo demasiado alto a partir de agora, já que temem por seus empregos, foram vaiados durante a reunião. Para o presidente do sindicato, Altino Melo Prazeres, “com ou sem greve, pode haver demissões”.

Os trabalhadores garantiram que podem, inclusive, ir além e convocar uma greve geral. Para isso, precisariam da adesão de outros sindicados. “90% dos trabalhadores apoia a nossa causa (a paralisação)”, disse um dos líderes sindicais. O sindicato dos metroviários já afirmou que conta com o apoio do Movimento Passe Livre, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e de outros grupos. Uma representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) fez um pronunciamento na assembleia deste domingo reforçando o apoio deles à greve.

Uma nova reunião já está marcada para segunda-feira para avaliar os rumos do embate. Os metroviários insistem em 12,2% de aumento salarial, enquanto o Metrô oferece 8,7%. Em nota oficial, a companhia afirma que respeita a decisão do TRT e que cumprirá das determinações da justiça.

Caos na Copa

À beira da Copa do Mundo, a situação do transporte público complica a vida das pessoas em São Paulo e dos visitantes que desembarcam na cidade para presenciar o início do torneio. Ao final da assembleia, no meio de gritos e protestos, um participante disse: “Vocês vão sair daqui e sentir a pressão das pessoas em casa, pedindo pra greve terminar, e também daqueles que se preocupam com o Mundial. Não desanimem! Apesar de Copa, Neymar, FIFA etc, é a nossa vida e a dos trabalhadores que está em jogo”.

Se a greve se estende até quinta-feira, assistir à abertura da Copa pode ser um problema. A maioria dos assistentes ao primeiro jogo (Brasil x Croácia), que acontecerá no estádio do Itaquerão, planejam chegar de metrô, por causa da proximidade da estação Corinthians-Itaquera. Que essa estação, vital em um dia como esse, esteja fechada pela greve, parece não preocupar Marco Polo del Nero, o presidente eleito da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Del Nero afirmou à imprensa brasileira que a paralisação “é um probleminha pequeno. Se não tiver metrô, vai de ônibus ou de carro”. Segundo ele, “há sempre alternativas”.

Estar no Brasil e entrar no clima da Copa, no entanto, não parece tão fácil como o que pretende transmitir a CBF – principalmente para os brasileiros. Apesar de sua afinidade com o futebol, a população não demonstra apoio e entusiasmo em relação aos jogos como em outros anos. São menos ruas decoradas, bandeiras penduradas e, em geral, poucos planos de aproveitar os jogos em ambiente de total descontração. As críticas e desconfianças à organização do evento, por um lado, e as greves e os protestos, de outro, estão se impondo sobre o que, para o país, é tradicionalmente uma grande festa.

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