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PESQUISA DE METROSCOPIA

A maioria dos espanhóis deseja uma consulta sobre o modelo de Estado

Quase a metade dos questionados apoia a Monarquia de Felipe VI, embora 62% defenda um referendo "em algum momento"

A maioria dos espanhóis deseja uma consulta sobre o modelo de Estado pulsa en la foto
Os espanhóis e a abdicação do Rei 

A maioria dos espanhóis espera que em algum momento haja um referendo sobre a Monarquia, embora apoie a abdicação do Rei e considere acertada a forma usada e o momento escolhido. Segundo os dados da consultoria Metroscopia para o EL PAÍS, 62% dos pesquisados são a favor de convocar a consulta popular, enquanto que quase a metade, ou 34%, se manifestou contra.

Na quarta-feira, o Congresso aprovará por ampla maioria a abdicação do Rei e apenas 10% dos deputados rejeitarão, pedindo expressamente a realização de um plebiscito sobre a forma de Estado. Esquerda Plural, a coalizão parlamentar liderada pela Esquerda Unida e que agrupa diversos partidos de esquerda, ambientalistas, federalistas e nacionalistas será esmagada pela maioria controlada pelo Partido Popular e os socialistas do PSOE. No entanto, a ideia de um referendo sobre Monarquia ou República não está tão distante do sentimento dos cidadãos, e a maioria dos espanhóis considera que em algum momento essa consulta terá de ser feita. Ou seja, a opinião do Parlamento não tem um reflexo automático na sociedade, onde há muitos mais nuances e a questão não parece estar decidida entre os espanhóis. Existe, especialmente, uma diferença entre aqueles que se reconhecem como eleitores da esquerda e os mais jovens.

Os mais novos e aqueles que admitem ter votado nos partidos de esquerda são os principais defensores do plebiscito. Um total de 74% dos que têm entre 18 e 34 anos, ou seja, aqueles que sempre viveram em uma democracia constitucional e, obviamente, não aprovaram a lei fundamental, quer escolher o modelo de Estado.

No caso dos partidos, 98% dos eleitores do Esquerda Unida concordam com a posição oficial do partido em favor da consulta. Este grupo de esquerda apresentou na sexta-feira uma emenda de totalidade à lei pedindo que a consulta seja feita em três meses e que seja aberto um processo constituinte. Não é o que acontece com os socialistas, pois é evidente que a maioria dos seus eleitores vai para um lado e os líderes e os seus parlamentares vão para outro. A liderança do partido socialista rejeita a possibilidade de realizar uma consulta agora e no futuro, enquanto que 68% dos eleitores que se dizem partidários dos socialistas acreditam que em algum momento o plebiscito deverá ser feito.

Na legislatura anterior, o então primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero freou repentinamente a reforma constitucional limitada porque precisava de um referendo sobre a alteração de um artigo sobre a Coroa. Apenas se tratava da eliminação da prevalência masculina na sucessão, mas Zapatero se recusou a dar continuidade para que a consulta necessária não se transformasse em um plebiscito sobre a Monarquia. Em relação ao PP, 60% dos seus partidários rejeitam a consulta popular sobre o modelo de Estado, o que corresponde com a atuação do partido. Essa petição majoritária de referendo não supõe, no entanto, uma rejeição à Monarquia e um apoio a um sistema republicano. De fato, quase a metade dos pesquisados garante que defenderia uma Monarquia liderada por Felipe VI, embora 36% digam que optariam pela República.

Também há notáveis diferenças por partidos e por idades: os mais jovens e os que votaram na esquerda têm inclinação à República – 86% dos eleitores do Esquerda Unida são a favor da República, o que a legenda defende.

No caso do PSOE, a pesquisa também confirmou que o partido tem um problema com as suas bases ou, pelo menos, com uma parte importante delas. A divisão entre os socialistas faz com que haja entre os seus partidários apenas uma pequena maioria em favor da Monarquia de Felipe VI. A organização juvenil de esquerda Juventudes Socialistas tem a República no seu programa, e nos últimos dias solicitou a convocação de uma consulta. Durante uma conferência política houve um intenso debate político sobre esta questão e alguns dos seus deputados pediram liberdade de voto.

Grande parte dos consultados vê a abdicação com bons olhos e considera que ocorreu no momento adequado e na forma certa

Por outro lado, o apoio à Monarquia é muito mais forte entre os eleitores do PP e 79% se declararam em favor deste sistema. Ainda assim, a pesquisa realizada nesta semana mostrou que a maioria dos espanhóis vê com bons olhos a abdicação do Rei e, além disso, aprovam a forma e o momento em que o anúncio ocorreu. Um total de 83% considera que a decisão do monarca foi adequada, 67% acreditam que o momento foi correto e 66% entendem que isso pode abrir caminho para pessoas jovens e com ideias novas. Com diferenças, essas maiorias claras são mantidas entre os eleitores do PSOE e da IU, ou seja, grande parte daqueles que querem uma consulta e que são a favor de uma República ficou satisfeita com a abdicação de dom Juan Carlos. Uma grande maioria considera uma oportunidade para melhorar os problemas do país dando lugar a novas pessoas.

Parte da explicação está no fato de que o atual príncipe e futuro rei Felipe VI está mais bem-avaliado entre os espanhóis do que o seu pai. Esta tendência se mantém desde 2006 nas pesquisas oficiais do CEI que marcam um desgaste progressivo na imagem do Rei, embora segundo este levantamento, a sua saída melhore substancialmente a sua avaliação.

Ambos têm notas melhores entre os eleitores do PP e entre os mais velhos, ou seja, também foi constatado nestes dados que há uma distância maior da Monarquia com a esquerda e com os mais jovens. Por exemplo, aqueles com menos de 34 anos dão ao ainda Príncipe uma nota 6,9, comparado com a nota 8 dos maiores de 55 anos. Esses dados também são explicados pelo fato de que, de acordo com a pesquisa, o principal ativo do Rei continua sendo o seu papel no processo de Transição, reconhecido por 72% como essencial para a chegada à democracia. É por isso que os mais jovens são os mais críticos, porque não têm a referência anterior à democracia e não se sentem sujeitos ao pacto de aceitação da Monarquia no qual se baseou a Transição.

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