Israel responde ao Governo de unidade palestino construindo mais casas

Benjamín Netanyahu impulsiona a construção de 3.300 moradias na Cisjordânia e no leste de Jerusalém

Um policial israelense prende um palestino em protesto em Jerusalém.
Um policial israelense prende um palestino em protesto em Jerusalém.AMMAR AWAD (REUTERS)

Israel respondeu à formação do novo Governo de unidade palestino, que integra o grupo islamista Hamas, com o impulso à construção de novas casas em colônias da Cisjordânia e do leste de Jerusalém. “É a correta resposta sionista ao Executivo terrorista palestino”, disse em um comunicado o ministro da Habitação, Uri Ariel, do partido de ultradireita Casa Judaica, sócio no Gabinete de Benjamín Netanyahu.

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Ao todo são 3.300 unidades em processo acelerado de construção. Em um primeiro grupo de 1.500, estão incluídas tanto residências em “fase intermediária” de aprovação (cerca de 800), como casas cuja obra já pode ser licitada (outras 600). Estas últimas foram projetadas em 1985 e só agora estão sendo construídas, depois de mudanças na partilha de terras. Podem demorar anos para ser finalizadas. Há um segundo grupo de 1.800 casas que já estão autorizadas, e podem ser construídas em breve.

Fazem parte do pacote que Israel tinha previsto anunciar em março, em paralelo à quarta libertação de presos palestinos do grupo de 104 que se comprometeu a libertar em julho de 2013, quando se retomou o processo de paz.

Três levas de presidiários saíram da prisão, mas Israel considerou que não havia condições adequadas para libertar os últimos. Assim, Netanyahu não se sentiu forçado a contentar seus aliados com mais tijolo em território ocupado. Com o processo de paz rompido e as facções palestinas fraternizadas, a ordem se descongela.

Israel demorou três dias para responder ao novo Gabinete palestino, e o ameaçou com “severas represálias”. Hamas, que até agora controlou a depauperada faixa de Gaza, é considerado um grupo terrorista dos EUA e da UE. Seus integrantes negam o direito de Israel existir.

O ministro Ariel explicou que esta reação “é apenas o começo”. “Quando cospem em Israel, algo há que ser feito”, enfatizou na Israel Rádio. Também fez questão de dizer que todas as novas casas se localizam em zonas que seu Governo quer manter em qualquer acordo de paz futuro. As Nações Unidas calculam que os colonos que hoje vivem em terra internacionalmente reconhecida como ocupada superam os 550.000, e fontes da Organização pela Libertação da Palestina (OLP) estimam que as 3.300 casas extras poderiam acrescentar outros 15.000 residentes.

O anúncio de ontem está na média dos realizados nos últimos tempos. Nos nove meses em que palestinos e israelenses estão dialogando, até abril, Israel avançou os trâmites para 14.000 casas, um período durante o qual demoliram mais de 500 casas palestinas com a deslocação de 900 vizinhos.

Saeb Erekat, chefe da equipe negociadora palestino, denunciou que seus adversários caminham “para uma escalada importante” na construção de assentamentos. Agora estão estudando “cuidadosa e ponderadamente” a resposta. Exigem à comunidade internacional que reaja com “contundência”. Por enquanto, o embaixador dos EUA em Israel, Dan Shapiro, lembrou que Washington “se opõe à construção de mais assentamentos e às ampliações”.