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A Austrália anuncia um concurso para a busca da aeronave da Malaysia Airlines

As empresas deverão rastrear 60.000 quilômetros atrás do avião desaparecido desde março. O voo, que ia de Kuala Lumpur a Pequim, levava 239 pessoas, entre passageiros e tripulantes

A tripulação do navio australiano 'Ocean Shield' manipula o submarino autônomo Bluefin-21 durante a busca do MH370. Ampliar foto
A tripulação do navio australiano 'Ocean Shield' manipula o submarino autônomo Bluefin-21 durante a busca do MH370. REUTERS

O governo australiano publicou hoje as condições exigidas para contratar alguma entidade privada que busque o avião da Malasya Airlines, desaparecido, desde 8 de março, quando voava de Kuala Lumpur a Pequim. Os interessados em conquistar o contrato (estimado em 60 milhões de dólares australianos, cerca de 85 milhões de reais) deverão dispor dos barcos e equipamento necessário (soar de varrido lateral basicamente) para buscar o B-777, em uma área de 60.000 quilômetros quadrados, com uma profundidade entre 1.000 e 6.000 metros, em 300 dias. Os concorrentes têm até o 30 de junho para apresentar suas ofertas, e prevê-se que os trabalhos possam começar em agosto, em pleno inverno austral.

Nos quase três meses decorridos desde que o MH370 desapareceu com 239 pessoas a bordo, supostamente em algum local do oceano Índico, todos os esforços por encontrar algum rastro foram tão infrutíferos como múltiplas as teorias mais ou menos conspiratórias sobre o ocorrido. Um depois de outro, os meios usados no rastreio do B-777 (aviões, barcos e um submarino autônomo) fracassaram, e a maioria das possíveis pistas se mostraram falsas ou inúteis.

A varredura com o Bluefin-21 emprestado pela Marinha dos EUA para rastrear uma zona do fundo oceânico de 850 quilômetros quadrados, onde se supunha que se tinham detectado possíveis sinais emitidos pelos localizadores das caixas negras, foi concluída na semana passada, sem resultado. Por isto, as autoridades descartam que o MH370 se encontre nessa zona.

Os únicos dados que se consideram confiáveis para definir a área de busca são os sinais recebidos por um satélite de Inmarsat sete horas após o último contato do MH370 com os controladores aéreos. Para aplacar a inquietude (e as suspeitas) dos familiares, a empresa britânica de comunicações por satélite e as autoridades malasianas tornaram os dados públicos na semana passada.

A empresa contratadora deverá buscar em uma área de uns 60.000 quilômetros quadrados (equivalentes ao duplo da superfície de Galícia). Mas, segundo a Oficina de Segurança no Transporte da Austrália (ATSB em suas siglas inglesas) o grupo internacional de especialistas terá finalizado os trabalhos requintados na área de rastreio em duas ou três semanas.

Enquanto isto, realiza-se um mapeamento do fundo marinho nesses 60.000 quilômetros quadrados por parte de um navio da Marina chinesa, o Zhu Kezhen. A China, que tem 153 de seus cidadãos desaparecidos com o avião, se queixou em várias ocasiões da atuação das autoridades da Malásia neste acontecimento. Os dados proporcionarão um mapa da zona de busca submarina, com os contornos, profundidades e a dureza do chão do oceano. Mas, como já aconteceu em outras ocasiões, os problemas técnicos atrasaram a busca. O Zhu Kezhen teve que voltar ao porto de Fremantle, no sábado passado, para consertar o soar de varredura múltipla.

O fato de convocar um concurso público para achar um avião desaparecido no fundo do mar não é novo. Nos trabalhos de resgate do AF447, que afundou no Atlântico em 1 de junho de 2009, participaram o Instituto Oceanográfico de Woods Hole (EUA) e a empresa Phoenix Internacional, que também operou (por meio de seu acordo prévio com a Marina norte-americana) o submarino autônomo utilizado na busca do MH370 e participou da recuperação do helicóptero espanhol Super Puma, acidentado, em março, nas Canárias, Espanha.