Boko Haram mata 35 pessoas em um ataque no noroeste da Nigéria

O presidente promete “guerra total” contra o terrorismo e a libertação das 219 garotas sequestradas

Imagem de um atentado perpetrado por Boko Haram na Nigéria.
Imagem de um atentado perpetrado por Boko Haram na Nigéria.AFOLABI SOTUNDE (REUTERS)

Combatentes do grupo terrorista Boko Haram, que ainda mantêm em cativeiro pelo menos 219 meninas sequestradas em abril passado, atacaram três povoados no nordeste da Nigéria, no estado de Borno, e mataram pelo menos 35 pessoas, segundo fontes militares e habilitantes desses povoados, informa a agência AFP.

Dezenas de membros do Boko Haram, vestidos com uniformes militares, irromperam nos povoados de Gumushi, Amuda e Arbokko, a bordo de veículos 4x4 e motocicletas e abriram fogo sobre os civis, incendiando várias casas com coquetéis molotov.

Poucas horas antes, o presidente nigeriano Goodluck Jonathan tinha anunciado uma “operação em grande escala para acabar com a impunidade dos terroristas” em solo nigeriano. O presidente assumiu um compromisso com os pais das 219 meninas sequestradas pelo grupo e garantiu a eles que suas forças vão conseguir libertá-las, informam as agências Reuters e AFP.

“Estou decidido a proteger nossa democracia, nossa unidade nacional e nossa estabilidade política, dando início a uma guerra total contra o terrorismo”, disse Jonathan durante seu discurso do Dia da Democracia, comemorado nesta quinta-feira na Nigéria.

A frase “guerra total” já tinha sido utilizada pelo presidente do Chade, Idriss Deby, depois de uma reunião com governantes de países fronteiriços à Nigéria, em meados do mês, na qual tentaram desenhar uma estratégia comum para lutar contra o grupo islâmico.

O presidente nigeriano Goodluck Jonathan.
O presidente nigeriano Goodluck Jonathan.SIPHIWE SIBEKO (EFE)

Nesta quinta-feira, Jonathan disse também que autorizou as forças de segurança a “utilizar qualquer recurso necessário e legal para garantir que isso aconteça”. E acrescentou: “Garanto a vocês (...) que esses bandidos serão expulsos. Não será de um dia para outro, mas não pouparemos esforços para alcançar essa meta”. Além disso, culpou “elementos estrangeiros extremistas” pelo surgimento desse grupo terrorista islâmico.

“Com o apoio dos nigerianos, de nossos vizinhos e da comunidade internacional, reforçaremos nossa defesa, libertaremos nossas meninas e nos livraremos dos terroristas”, concluiu, acrescentando que todas as consequências democráticas nas frentes sociais e econômicas estão sendo ameaçadas “pelo terrorismo internacional” em seu litoral.

A Nigéria é o maior produtor africano de petróleo e, segundo dados do Banco Mundial, dois terços de seus 170 milhões de habitantes luta contra a pobreza extrema. Desde que, em 2009, a polícia acabou com o fundador do Boko Haram, Mohamed Yusuf, seus seguidores começaram uma sangrenta campanha que, até hoje, soma mais de 4.000 mortos. O objetivo é impor um Estado islâmico na Nigéria, predominantemente cristã no sul, e de maioria muçulmana no norte.