Bachelet: “É o pior incêndio da história de Valparaíso”

Onze pessoas morreram e cerca de 10.000 deverão ser evacuadas Dezessete aeronaves trabalham para combater o fogo

Um incêndio provocou a morte de onze pessoas na cidade portuária de Valparaíso, de acordo com a informação oficial dada pelas autoridades, que retificaram a cifra entregue há poucas horas pela polícia, que informava o número de 16 mortes.

A presidenta Michelle Bachelet classificou a tragédia de “o pior incêndio da história de Valparaíso”, e não descartou que a cifra possa aumentar nas próximas horas. A governante encabeçou esta manhã um comitê de emergência na cidade portuária e, em uma coletiva de imprensa, informou que cerca de 10.000 pessoas deverão ser retiradas de suas casas e que 17 aeronaves trabalham para combater os focos do incêndio que ainda não foram controlados. “As imagens são impactantes. É uma tremenda tragédia”, assinalou a presidenta, visivelmente afetada.

As chamas começaram no sábado por volta das 16h30 no Chile, no Camino La Pólvora, uma das estradas de acesso à cidade. O incêndio florestal, no entanto, propagou-se rapidamente para zonas habitadas, principalmente pelo calor e o vento intenso. A presidenta informou que um primeiro cadastro indica que existem cerca de 500 casas totalmente danificadas e que o desastre se concentra nas colinas Mariposa, El Vergel, La Cruz, El Litre, Las Cañas, Miguel Ángel e Mercedes.

Valparaíso é uma cidade portuária composta por 42 colinas na orla do oceano Pacífico e é uma das que tem maior população no Chile. As ruas são estreitas e inclinadas, o que dificulta o acesso dos órgãos de emergência. Especialistas em urbanismo, como Iván Poduje, explicaram pela televisão local que entre os problemas que contribuíram para a propagação do incêndio estão o lixo das ruas, a falta de um plano adequado para enfrentar este tipo de tragédia e a construção de casas em locais não permitidos. Ao chegar à cidade, a sensação é de que nem uma agulha entra nessas colinas habitadas.

Bachelet explicou que cerca de 1.250 bombeiros, tanto de Valparaíso como de outras cidades do país, trabalham contra o tempo para controlar as chamas, sobretudo porque a meteorologia indica que os fortes ventos voltarão em breve. A governante informou que ontem à noite decretou estado de emergência na cidade para que as Forças Armadas ajudem a controlar o fogo e deem proteção às vítimas. Neste momento, cerca de 2.000 homens mantêm a ordem e a segurança nas ruas.

A chefe de Estado começou a percorrer os albergues, onde 650 pessoas se refugiaram. Uma mulher chamada Silvia, que passou a noite no albergue da Escola Grécia, descreveu a cena do incêndio: “Quando cheguei na minha casa, o fogo se propagava como uma língua ardente. Minhas crianças estavam ali. Não queriam sair. Corri, retirei elas e a minha tia Marta e descemos o morro. Caíam pedaços de carvão acesos, que pareciam meteoritos”, informa o blog da jornalista Andrea Lagos, que passou a noite no albergue.

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