COPA DO MUNDO DE 2014

Pelé diz que morte de operário em obra da Copa é “normal”

O jogador mais importante da história do Brasil causou polêmica ao dizer que a queda de um trabalhador na arena que abrirá o Mundial é “coisa da vida”

Pelé, em um ato promocional.
Pelé, em um ato promocional.Gilbert Carrasquillo (WireImage)

Pelé, o jogador mais importante da história do Brasil, causou polêmica nesta segunda-feira ao dizer que considera “normal” a morte de um operário no final do mês passado na Arena Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, palco de abertura da Copa do Mundo em 12 de junho. Para ele, o que preocupa em relação ao Mundial é a situação dos aeroportos do país.

A declaração foi feita quando o ex-jogador participava do lançamento de sua linha de diamantes comemorativos feitos com fios de seu cabelo que representam cada um dos mais de mil gols feitos por ele ao longo da carreira. Questionado pela imprensa sobre a morte do operário, ele disse: “O que aconteceu no Itaquerão, o acidente, é normal, coisa da vida, pode acontecer. Foi um acidente. Isso aí eu não acredito que assuste”, disse ele. “Mas a maneira como está sendo administrada a entrada e saída de turistas nos aeroportos do Brasil, isso eu acho que é uma coisa que está preocupando”, afirmou.

Pelé já havia sido alvo de críticas no ano passado após pedir que os brasileiros deixassem os protestos sociais, que começaram em junho do ano passado no país, para depois da Copa. Os gastos com as obras para o Mundial, que tem os estádios mais caros dentre os últimos Mundiais, é um dos alvos dos protestos.

O operário Fabio Hamilton da Cruz, 23, caiu de uma das estruturas da arquibancada provisória do Itaquerão no último 29 de março. No dia seguinte, uma equipe do Ministério do Trabalho esteve no local e constatou que a obra apresentava riscos aos trabalhadores e que um dos problemas era a extensão limitada dos cabos de aço que sustentam o equipamento de segurança, o que pode ter ajudado a provocar a queda de Cruz. Com ele, já foram oito as mortes de operários nas obras relacionadas com a Copa do Mundo no país, três delas no estádio de abertura do torneio. O atraso nas obras, que gerou críticas por parte da FIFA, exigiu que o ritmo dos trabalhos fosse acelerado nos estádios.

Pelé também transmitiu a intranquilidade que existe em outros países em relação à segurança e a falta de entrada para estrangeiros. "Passei por vários países e a preocupação é grande. Ninguém entende porque não temos mais entradas. O que também chamou a atenção foi o problema que houve no Rio, com as pacificações das favelas, assaltos e mortes. Os estrangeiros querem saber se vai haver perigo", acrescentou.

O ex-jogador também questionou a organização dos grandes eventos, como a Copa das Confederações de 2013, o Mundial e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. "São três eventos nos quais o Brasil poderia crescer como país. A Copa das Confederações já foi complicada, mas, graças a Deus, Brasil foi campeão. Se não, poderíamos ter problemas. Tenho a segurança de que o grande erro de nosso país, do Governo, foi esquecer que o Mundial e as Olimpíadas poderiam abrir as portas aos turistas", concluiu.

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