A Malásia investiga os dados apagados no simulador do piloto do MH70

Kuala Lumpur solicita a ajuda do FBI para ler os registros apagados em fevereiro passado Os radares militares da Tailândia detectaram uma 'aeronave desconhecida' depois de o avião desaparecer

Familiares dos viajantes do Boeing-777 desaparecido. (reuters_live)

Na falta de pistas do avião da Malaysian Airlines desaparecido há 12 dias com 239 pessoas a bordo, a polícia segue centrando a investigação nos pilotos do MH370 e no simulador de voo caseiro instalado no domicílio do comandante, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos. Os pesquisadores querem recuperar registros de seus treinamentos (sobretudo de aterrissagens) no simulador que foram apagados no dia 3 de fevereiro, um mês antes da perda do avião no dia 8 de março.

“Chamamos especialistas internacionais e nacionais para examinar o simulador de voo do piloto. Houve informação que foi apagada e estamos tratando de recuperá-la”, disse o ministro de Defesa e de Transportes da Malásia, Hishamudin Husein, em uma coletiva de imprensa. Segundo o jornal The New York Times, foi solicitada ajuda ao FBI. Se os dados não tiverem sido apagados com programas sofisticados, o escritório de investigação federal dos Estados Unidos será capaz de recuperá-los. Fontes da indústria consultadas mostram-se céticas sobre a possibilidade de que esses registros contribuam no misterioso desaparecimento do B-777. Entendem que o conteúdo pode ter sido apagado apenas para liberar memória nos computadores.

Por enquanto, essa parece a única linha de investigação da polícia, que trata o caso como um assunto criminal ao acreditar que alguém com conhecimentos de pilotagem desativou os sistemas de comunicação do avião e mudou o rumo. As investigações sobre os passageiros (dois viajavam com passaportes roubados) não deram nenhum fruto, explicou o ministro Hishamudin, que apelou à presunção de inocência da tripulação.

Kuala Lumpur recebeu os dados requisitados de 12 dos 14 países de procedência dos viajantes. Ainda não responderam a Rússia e a Ucrânia. No MH370 viajavam dois homens ucranianos e um russo.

Um total de 26 países buscam por terra, mar e ar restos ou indícios que possam colocar um pouco de luz sobre o destino que sofreu o aparelho depois de desaparecer dos radares civis malasios uma hora após a decolagem e dar meia-volta em relação à rota prevista. Depois de ter começado inicialmente no mar do sul de China, a busca está agora centrada em dois corredores aéreos que formam um arco de milhares de quilômetros, e vai da Ásia central ao oceano Índico sul. O corredor noroeste passa pelo oeste da China, enquanto o corredor sudoeste está no Índico ao oeste de Australia.

A China (153 passageiros são dessa nacionalidade) começou a busca em seu próprio território e na quarta-feira enviou nove barcos para o sudeste da baía de Bengala e ao oeste de Indonesia, que cobrirão uma área de 300.000 quilômetros quadrados, equivalente a dois terços a superfície de Espanha. A Austrália, por sua vez, delimitou para busca uma zona do tamanho da península Ibérica no Índico, onde se supõe que o Boeing 777-200 ficou sem combustível.

Por enquanto houve poucos avanços na resolução de um mistério que está se arrastando pela reticência de alguns países em compartilhar dados de seus radares militares ou satélites para não revelar suas capacidades –ou suas lagoas- de defesa em uma região cruzada por duras disputas territoriais e marítimas.

As forças aéreas da Tailândia afirmaram nesta quarta-feira que os radares tailandeses detectaram o que poderia ser o B-777 sumido. “Uma aeronave desconhecida foi detectada às 00.28 (hora local, 1.28 hora de Malasia) seis minutos após o MH370 desaparecer” no mar do Sul da China, que se movia em direção sudoeste para Kuala Lumpur e o estreito de Malaca, segundo o marechal das forças aéreas Monthon Suchookorn, informa a France Press. O militar assegurou que a informação não foi dada antes por que surgiu ao comprovar os registros dos radares nesta segunda-feira, após isso ter sido pedido pelo Governo malaio.

O sinal identificado pela Tailândia é coerente com a última transmissão do transponder do avião à 1h21, hora malaia, que proporcionou a informação sobre sua localização e a altitude em que voava. Monthon disse que embora o sinal registrado seja esporádica, os radares tailandeses voltaram a identificar o mesmo aparelho enquanto girava para o norte e desaparecia no mar de Andamán. No entanto, insistiu que “não está confirmado se a aeronave é o MH370”. O avião desapareceu dos radares civis da Malasia à 1h30, mas seu sinal continuou piscando nas telas dos radares militares malasios até as 2h15.

As forças aéreas tailandesas afirmam que não analisaram antes seus registros por que o aparelho não estava em espaço aéreo tailandês e não significa uma ameaça para a segurança do país, e negaram ter retido a informação.

O Governo da Malásia diz que é imprescindível reduzir a zona em que se busca o avião, e voltou a instar os Governos da zona a facilitar o acesso à informação, com frequência considerada sensível pelos militares dos diferentes países, que poderia revelar para onde se dirigiu exatamente o Boeing 777. “Devemos empreender todos os esforços possíveis para reduzir os corredores que anunciamos. Acho que é a melhor forma de atuar. Caso contrário, estaremos no terreno das especulações de novo”, disse Hishammuddin Hussein na terça-feira a última hora.

A Marinha dos Estados Unidos disse que mudou seus planos de busca para utilizar principalmente aviões P-8A Poseidon e P-3 Orion em vez de barcos e helicópteros, porque são bem mais apropriados para este tipo de operações, dado o tamanho crescente da zona de busca, 7,68 milhões de quilômetros quadrados, uma superfície equivalente à da Austrália.

A falta de resultados e as informações a conta-gotas provocaram a ira dos familiares dos passageiros chineses do voo MH370, que ameaçaram uma greve de fome se o Governo de Malásia não lhes dê toda a informação que acham que estão escodendo. Alguns familiares de turistas chineses foram esta quarta-feira desalojadas da sala onde Hishamudin se dirigia à imprensa, onde irrompiam em gritos, desesperados pela espera e a falta de informação.