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Desaparecido um avião malásio que voava para Pequim com 239 pessoas

O voo da Malaysia Airlines perdeu contato uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur

As autoridades não descartam um possível atentado após comprovar que dois passageiros levavam passaportes roubados

Parentes de um dos passageiros, no aeroporto de Pequim.
Parentes de um dos passageiros, no aeroporto de Pequim. Reuters

Um avião da Malaysia Airlines, com 227 passageiros - incluindo dois bebês - e 12 tripulantes, desapareceu dos radares na madrugada deste sábado, uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim. Até o momento, as autoridades dos países da região ainda desconhecem a localização do Boeing B777-200 e o que ocorreu. Com 11 anos de vida, a aeronave não emitiu nenhum sinal de alarme nem se houve registro de más condições meteorológicas na zona aérea. Ou ainda, uma eventual sabotagem. O fato de dois passageiros a bordo estarem portando passaportes falsos faz com que não se descarte nenhuma hipótese.

Uma vez que foi comprovado que um italiano e um austríaco que constavam da lista de embarque não se encontravam no avião - seus passaportes haviam sido roubados na Tailândia - as autoridades começaram a investigar a possibilidade de um ataque terrorista. Funcionários dos Estados Unidos consultados pelo canal NBC News confirmaram que estão se indagando nesse sentido, embora ainda não se tenha determinado “vínculos com o terrorismo”.

Nos trabalhos de busca estão participando barcos e aviões da Malásia, do Vietnã, da China e de Singapura, dos Estados Unidos e das Filipinas. O último contato com os controladores aéreo foi feito a 120 milhas náuticas (222 quilômetros) da cidade costeira de Kota Bharu, no espaço aéreo do Vietnã. A força aérea vietnamita avistou manchas oleosas no mar mas não está claro se poderiam vir da aeronave.

Última posição conhecida do avião desaparecido. ampliar foto
Última posição conhecida do avião desaparecido. AP

Malaysia Airlines informou ontem em seu útlimo comunicado que não havia sido encontrado nenhum resto de avião pela missão internacional de resgate, que continuou pelo mar cuando anoiteceu na região e as buscas pelos meios aéreos foram suspensas. O capitão Zaharie Ahmad Shah, um malásio de 53 anos com 18.365 horas de voo, e o primeiro oficial, Fariq Ab. Hamid, de 27 anos e 2.763 horas de voo, pilotavam o avião, segundo a linha aérea.

Como a maioria dos passageiros são chineses (154) a reação de Pequim foi rápida. O primeiro-ministro chinês Li Keqiang pediu com urgência à Malásia para que impulsionasse uma busca rápida e enérgica do avião, segundo a agência estatal Xinhua, que acrescenta que Li ligou pessoalmente para o primeiro-ministro Malasio Najib Razak para fazer esse pedido. Razak explicou, numa coletiva de imprensa, em Kuala Lumpur, que foram destinados para os trabalhos de busca 15 aviões e seis barcos militares, além de três patrulhas de guarda-costas. O Vietnã enviou dois barcos, dois aviões e um helicóptero, enquanto se preparam outras seis aeronaves e nove barcos para reforçar as buscas. Também a China e as Filipinas enviaram barcos para a região. Singapur e Estados Unidos destinaram aviões militares para ajudar no resgate.

Os parentes e amigos que aguardavam o voo em Pequim foram levados a um hotel próximo, onde mostraram sua irritação pela falta de notícias. Após horas de espera, cerca de vinte deles saíram da sala onde estavam concentrados enfurecidos para exigir informação. "Não há ninguém da companhia aqui, não podemos encontrar uma só pessoa. Simplesmente nos encarceraram neste local e disseram para que esperássemos", explicou um homem, que não quis revelar sua identidade. "Queremos que alguém apareça. Sequer nos deram a lista dos passageiros". A companhia, em seu comunicado, afirma que não divulgará a lista completa até que sejam localizados todos os familiares, ao mesmo tempo em que anuncia o envio a Pequim de uma equipe de profissionais e voluntários para dar assistência aos parentes.

O desaparecimento do B777 lembra a tragédia do voo 447 da Air France, que desapareceu no Atlântico no dia 1 de junho de 2009, enquanto seguia a rota Rio de Janeiro-Paris. O A-330, com 228 pessoas a bordo, caiu por uma série de circunstâncias, entre elas as “ações inapropridas dos pilotos que estavam submetidos a um forte estresse”.

O voo MH370 decolou da capital da Malásia às 00h41, hora local, e a previsão de aterrissar na capital chinesa era às 6h30, mas às 2h40 -duas horas após sua decolagem- o contato com a aeronave foi perdido, segundo a Malaysia Airlines. O avião não emitiu nenhum sinal de socorro. Entre os passageiros e tripulantes, há pessoas de 14 países diferentes. São principalmente chineses (154) e malásios (38). Também viajavam sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três norte-americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadenses, um italiano, um holandês, um austríaco e um russo.

Ahmad Jauhari Yahya, conselheiro da Malaysia Airlines, assegurou que o avião perdeu o contato com os controladores aéreos quando estava a 120 milhas (193 quilômetros) a leste da cidade de Kota Bharu (Malásia). Também disse que os outros voos programados da linha aérea devem operar com normalidade. "Nossos pensamentos e nossas preces estão com todos os passageiros e tripulantes afetados e suas famílias”, dizia a companhia em um comunicado.

O Governo do Vietnã assegura que o aparelho desapareceu enquanto voava em seu espaço aéreo. “O avião perdeu o contato no espaço aéreo da província de Ca Mau, antes de entrar em contato com o controle aéreo da cidade de Ho Chi Minh”, afirmaram as autoridades de Hanoi em um comunicado. Um responsável pela Autoridade da Aviação Civil do Vietnã (CAAV) assegurava anteriormente que o avião não pôde ser contatado enquanto estava voando sobre o mar entre a Malásia e a cidade vietnamita de Ho Chi Minh. “Seu código não apareceu em nosso sistema”, disse Bui Van Vo, diretor do departamento de controle aéreo de CAAV, informa a Reuters.

O voo estava operado em código partilhado com a companhia chinesa Southern Airlines. A Malaysia Airlines é uma das companhias da Ásia com melhor histórico de segurança e serviço, embora recentemente tenha sofrido alguns problemas financeiros. Esse é o segundo acidente fatal que envolve um Boeing 777 em menos de um ano. No ano passado, um Boeing 777 explodiu no aeroporto de San Francisco e causou a morte de três pessoas. Até então, este modelo não registrava nenhum incidente fatal desde que entrou em serviço em 1995.

O último acidente mortal da Malaysia Airlines ocorreu em 1995, quando um de seus aviões explodiu próximo à cidade de Tawau. Morreram 34 pessoas. A linha aérea tem 15 Boeings 777-200 de um total de 100 aviões. Este modelo tem um alcance de 14.305 quilômetros.